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Acesso a Clientes

O uso de carteiras digitais deixou de ser um nicho tecnológico e passou a se tornar o padrão de conveniência no varejo físico.

Marcos Vinicius Nunes Montes

Diretor de Meios de Pagamento e Distribuição de Investimentos

Fatos Relevantes de 2025

Ao analisar o cenário de Meios de Pagamento em 2025, vejo que o mercado brasileiro atingiu um nível de sofisticação que nos coloca na vanguarda global. Destaco três marcos que redefiniram o setor:

  1. A consolidação das wallets como meio preferencial: Em 2025, o Brasil atingiu um ponto de inflexão onde o uso de carteiras digitais (Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay) deixou de ser um nicho tecnológico para se tornar o padrão de conveniência no varejo físico, pressionando instituições regionais a acelerarem suas integrações.
  2. A mudança de patamar na segurança com a tokenização: O avanço da tokenização de ativos e cartões em 2025 reduziu drasticamente o custo de fraude no e-commerce brasileiro. A substituição do número do cartão físico por tokens específicos para cada dispositivo ou estabelecimento tornou o ecossistema mais resiliente, permitindo que as bandeiras e emissores focassem mais na experiência do usuário e menos na gestão de perdas.
  3. A evolução do Pix como ferramenta de B2B e recorrência: O ano de 2025 marcou a transição do Pix de um método de transferência P2P para uma robusta ferramenta de negócios. O amadurecimento das APIs de recebimento e a preparação para o Pix Automático permitiram que empresas de todos os portes passassem a enxergar o arranjo do Banco Central como um substituto eficiente não só para o dinheiro, mas para fluxos complexos de tesouraria e cobrança.

O Banestes S.A. em 2025/26

O ano de 2025 foi marcado por uma solidez recorde para o Banestes, consolidando sua relevância no Espírito Santo com expansão digital e financeira. No ano anterior, o Banco apresentou resultados históricos, impulsionados principalmente pela eficiência operacional e pelo crescimento da carteira de crédito. Alcançamos lucros recordes (com crescimento de 21,6% no 3º trimestre de 2025 em comparação ao ano anterior) e o patrimônio líquido atingiu a marca de R$ 2,4 bilhões.

O segmento de Cartões do Banestes atingiu um faturamento consolidado de R$ 5,56 bilhões. O protagonismo foi do Banescard Visa, que registrou expansão de 25,5% após a migração estratégica da base do antigo Banestes Visa para a marca própria. O engajamento dos clientes foi impulsionado por campanhas de alto impacto, com destaque para os 88 anos do Banco (8,8 pontos/dólar) e a ação “Se Liga nos Pontos”, que gerou R$ 50 milhões em faturamento incremental.

No âmbito da experiência digital e governança, o banco avançou com a digitalização por meio da integração ao Google Pay e Samsung Pay, diversas funcionalidades no aplicativo, expansão do programa com novos resgates (combustível, vouchers e seguros) e o serviço “Pagar com Pontos”, além da conclusão das adequações à Resolução CMN nº 4.966 e implementação de soluções de parcelamento proativo para clientes em atraso.

Para 2026, a estratégia em meios de pagamento está alinhada à agenda evolutiva do sistema financeiro nacional. No que tange ao produto cartão de crédito, nosso foco está no convite aos clientes com perfil para nosso cartão Absoluto (segmento Alta Renda), produto recém-lançado em dezembro de 2025. Além disso, temos a expectativa de ainda no primeiro semestre de 2026 lançar Apple Pay e Garmim Pay, consolidando nosso cartão nas principais wallets.

Somado a essas entregas relevantes e com foco na fidelização de nossos clientes, estamos reformulando o design e usabilidade do programa de recompensas, visando fortalecimento do ecossistema regional por meio da solução pagar com Pontos e de diversos outros benefícios, como pagamento de fatura com pontos, seguros e contas em geral.

Sob a ótica do Pix, além de continuarmos atendendo a extensa agenda de compliance, focaremos na entrega do Pix Automático através de nossos canais, voltado para os clientes PJ em sua jornada de recebimento. A expectativa é a oferta desse serviço aos nossos clientes que utilizam outras formas de recebimento, além de ser uma substituição gradual do débito automático, tradicional para esta modalidade, facilitando pagamentos recorrentes (água, luz, assinaturas) com menor custo para empresas e mais controle para o usuário.

Assimetria Regulatória

Historicamente, o mercado brasileiro viveu uma assimetria necessária para fomentar a inovação e a entrada de novos players. No entanto, avançamos para um cenário onde essa proporcionalidade precisa ser revisitada com cautela.

Na minha avaliação, ainda não operamos em condições plenamente equivalentes. Enquanto as fintechs foram beneficiadas por exigências de capital mais flexíveis para acelerar seu crescimento, os bancos tradicionais e regionais mantêm uma estrutura de custos e obrigações — especialmente no que tange à segurança sistêmica, compliance rigoroso e atendimento físico — que é muito mais onerosa.

Cartões para a Alta Renda

O mercado de cartões de alta renda passou por uma transformação nos últimos anos. O que antes era um nicho restrito tornou-se o campo de batalha principal das instituições financeiras. A conta para oferecer salas VIP ilimitadas e pontuações turbinadas não fecha apenas com a anuidade. A viabilidade vem de um “mix” de receitas, como taxa de intercâmbio, spread, dado que esse público tende a concentrar grandes gastos no cartão, além de trazer volumes massivos em investimentos. O banco aceita incorrer no custo da sala VIP para garantir que o patrimônio do cliente fique sob sua gestão.

Para o ano de 2026, a tendência é de seletividade. Em 2024/2025, muitos bancos cortaram acessos ilimitados devido ao alto custo e à superlotação dos lounges. Em 2026, os benefícios continuam fortes, mas as regras de isenção estão mais rígidas (exigindo gastos mensais mais altos ou volumes maiores de investimento), bem como as bandeiras estão criando novos nichos com foco nos ultra ricos (níveis” acima do Black/Infinite), oferecendo experiências diferenciadas (concierges dedicados, eventos exclusivos, acesso a clubes privados).

O Banestes entrou nesse segmento com o lançamento do Banescard Absoluto Visa Infinite em dezembro de 2025. O banco não apenas acompanhou o mercado, mas subiu a régua regional:

  • Poder de Pontuação: Com até 5 pontos por dólar (em compras internacionais) e 4,2 em nacionais, o Banestes colocou seu cartão no Top 10 do Brasil em termos de acúmulo de milhas.
  • Experiência VIP: Oferece acesso ilimitado às salas VIP (LoungeKey e Dragon Pass) para o titular e adicionais, com convidados gratuitos. Isso é um diferencial agressivo para 2026, enquanto outros bancos estão cortando esses acessos.
  • Estratégia de Investimento: O cartão é um produto de “relacionamento”, focado em clientes com mais de R$ 1 milhão investidos, reforçando o objetivo de atrair e manter o capital de alta renda no Espírito Santo.

Além dos benefícios elencados acima, o Banco ainda oferece IOF zero para compras internacionais, acesso a um amplo programa de benefícios e até 05 Tags Veloe gratuitas.

Inteligência Artificial

A IA tem evoluído muito no contexto de prevenção à fraude e chatbots, contudo, ela ainda não é explorada em sua plenitude em áreas vitais, como a hiperpersonalização de ofertas em tempo real e a gestão financeira de PMEs.

No contexto da hiperpersonalização de ofertas em tempo real, a IA ainda pode ser mais bem aproveitada para analisar o comportamento de gasto no exato momento da transação e oferecer uma solução financeira contextual — como o parcelamento de uma compra específica via app logo após a aprovação da transação na maquininha, com taxas baseadas no score imediato do cliente.

Já em relação à gestão financeira de PMEs, a IA pode contribuir para prever, com mais precisão, os fluxos de caixa de pequenos lojistas, oferecendo capital de giro proativo antes mesmo de o cliente perceber a necessidade, automatizando a gestão financeira do empreendedor de forma invisível.

Cartões de Benefícios

O decreto 12.712/25 limitou as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais que aceitam os cartões de benefícios em 3,60%; as taxas de intercâmbio em 2%; a redução do repasse para pagamento ao estabelecimento em 15 dias e a interoperabilidade para que os cartões sejam aceitos em qualquer maquininha POS.

Do ponto de vista das empresas de benefícios, o decreto é uma interferência direta do Estado na economia e na livre iniciativa. O Governo defende que o decreto moderniza o setor, traz mais transparência, e possibilita mais players entrando nesse mercado.

Apesar das mudanças regulatórias terem elementos de intervenção forte, elas destinam-se a corrigir distorções de mercado e promover maior competitividade.

As grandes empresas de benefícios deverão ter redução de margens de receita, podendo perder mercado para empresas com menos de 500 mil trabalhadores, que não serão afetadas por essas mudanças. Assim, grandes players tradicionais com alta concentração de mercado e altos custos de transação devem perder mercado para fintechs e novos entrantes.

As empresas que compram o benefício para os seus empregados não deverão ter alteração em seus custos a princípio, enquanto os seus empregados deverão ter mais liberdade na escolha de onde usar o benefício, com a interoperabilidade plena, pois mais estabelecimentos irão aceitar o cartão.

Do ponto de vista das credenciadoras de cartão, com a abertura desse mercado elas terão mais autonomia na aceitação dos cartões, já que o estabelecimento não precisará se habilitar junto a empresa de Benefício, bem como a possibilidade de aumento nas receitas, pois poderão antecipar os recebíveis para o comércio, prática essa que hoje é feita pela empresa de Benefício.

Open Finance

O Open Finance é a chave mestra para a principalidade. Quem detém a visão 360º do cliente detém a melhor oferta. Portanto, o Open Finance permite que o player entenda que o cliente tem limite em outro banco, mas não tem saldo, e aja como um “agregador inteligente” de vida financeira.

Nesse contexto, numa escala de 0 a 10, entendo que o patamar atual está no nível 6. Já temos a infraestrutura e o compartilhamento de dados consolidado, mas o mercado ainda está aprendendo a transformar esses dados em produtos que o cliente final perceba como benefício claro. Muitos clientes ainda têm receio de compartilhar seus dados, culminando na não utilização de todos os benefícios que podem ser obtidos com o Open Finance. Além disso, a ausência de uma jornada de uso fluída e transparente para o cliente ainda carece de evolução, pois existem muitos pontos de atritos que precisam ser resolvidos.

É possível que o uso pleno, onde o cliente não precisará mais navegar entre diversos apps e as decisões de crédito serão 100% automatizadas via dados compartilhados, aconteça até o final de 2027.

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