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O uso mais maduro do Open Finance deve ocorrer entre 5 e 8 anos, com impactos relevantes na forma como produtos e serviços financeiros são concebidos e distribuídos.

Nuham Szprinc

Consultor & Board Member

Fatos Relevantes de 2025

  • O primeiro foi a consolidação definitiva do Pix como principal infraestrutura de pagamentos no Brasil, com novas funcionalidades ampliando seu uso cotidiano e reforçando seu papel estrutural na economia.
  • O segundo foi o aumento de episódios de fraude e engenharia social, evidenciando que os principais riscos estão na governança, nos controles e no uso inadequado da tecnologia, e não na infraestrutura do Pix em si.
  • O terceiro destaque foi o rearranjo do mercado de cartões de benefícios, impulsionado pelo Decreto nº 12.712/25, que pressionou modelos tradicionais, impactou margens e abriu espaço para fintechs menores, mais ágeis e especializadas.


O setor avançou para uma fase de maior fiscalização, governança
e profissionalização
.

Nuham Consultoria em 2025/26

O ano de 2025 foi marcado pela consolidação de projetos estratégicos, evolução do portfólio de soluções e fortalecimento de parcerias, com foco em eficiência, escala e experiência do cliente. Esse movimento ocorreu em um ambiente macroeconômico desafiador, com compressão de margens, custo de capital elevado e maior seletividade nos investimentos.

A inteligência artificial foi o grande tema do ano, cercada por expectativas elevadas, mas com entregas práticas ainda mais incrementais do que transformacionais. Contudo, ficou claro que o uso responsável da IA será um importante motor de eficiência operacional, sobretudo na redução de retrabalho e inconsistências de dados.

Para 2026, a expectativa é de crescimento mais disciplinado e sustentável, fortemente influenciado por mudanças tributárias em implementação, ambiente eleitoral e maior volatilidade econômica. 2026 tende a ser um ano de adaptação, aprendizado operacional e preparação, mais do que de expansão acelerada.

Assimetria Regulatória

Bancos e fintechs não operam sob condições plenamente equivalentes, e essa assimetria regulatória foi, historicamente, um dos principais motores da inovação e da inclusão financeira no Brasil.

Modelos regulatórios mais flexíveis permitiram a digitalização acelerada, a criação de novos serviços e a ampliação do acesso ao sistema financeiro. No entanto, o amadurecimento do ecossistema exige maior rigor em licenciamento, fiscalização e compliance, especialmente para evitar o uso indevido de brechas regulatórias.

O desafio não é eliminar a assimetria, mas torná-la consciente, proporcional ao risco e transparente, reconhecendo que bancos e fintechs possuem estruturas, objetivos e horizontes distintos. Inovação e estabilidade precisam coexistir para preservar a integridade do sistema financeiro.

Cartões para a Alta Renda

Os cartões voltados à alta renda são viabilizados por estratégias de relacionamento de longo prazo, baseadas em lifetime value, cross-sell e monetização futura do cliente.

Benefícios como programas de pontos, salas VIP e experiências exclusivas funcionam como instrumentos de fidelização, especialmente em um mercado onde o consumidor é pouco fiel à marca e sensível a preço. Esses produtos se sustentam enquanto LTV, ROI e capacidade de monetização futura justificarem o subsídio.

No curto prazo, a tendência é de continuidade, com instituições buscando ampliar ou recuperar participação.

A partir de 2026/2027, a sustentabilidade econômica desses modelos será mais claramente testada, exigindo maior seletividade, personalização e foco em rentabilidade real.

Inteligência Artificial

Apesar do avanço no uso da IA para automação e eficiência operacional, seu potencial estratégico ainda está longe de ser plenamente explorado.

Há oportunidades relevantes em prevenção preditiva a fraudes, análise de comportamento de consumo, concessão e gestão dinâmica de crédito e no desenho de novos produtos financeiros. A IA agentic (como um agente autônomo) pode acelerar análises, simulações e apoiar decisões em tempo real.

O principal limitador não é tecnológico, mas econômico e temporal: custo elevado, maturação longa, retorno não imediato e restrições regulatórias, como a LGPD.

O modelo tradicional de priorização de investimentos favorece iniciativas de ROI rápido, adiando projetos mais transformacionais e de longo prazo.

Cartões de Benefícios

O Decreto nº 12.712/25 representa uma interferência regulatória direta, mas também uma modernização estrutural do mercado de benefícios. Ele amplia transparência, interoperabilidade e concorrência, corrigindo distorções históricas. Modelos de arranjo aberto tendem a se adaptar melhor, enquanto arranjos fechados enfrentam perda de exclusividade, compressão de margens e necessidade de revisão estratégica. Credenciadoras ganham eficiência e escala; empresas contratantes se beneficiam de maior previsibilidade de custos e melhor fluxo de caixa; e usuários finais ganham liberdade de uso.

Como em outros ciclos regulatórios, perdas em um elo da cadeia tendem a ser compensadas por novas formas de monetização em outros pontos.

Open Finance

O Open Finance é um movimento estrutural que reposiciona o cliente no centro do sistema financeiro, permitindo o uso consentido e inteligente de dados. Seu valor está na personalização de ofertas, integração de jornadas financeiras e fortalecimento da principalidade.

Atualmente, o uso ainda é parcial, estimado entre 4 e 5 em uma escala de 0 a 10, com foco maior em aplicações defensivas, como gestão de risco e comparabilidade básica.

O pleno potencial depende de evolução cultural, tecnológica e regulatória, além do aumento da confiança de empresas e usuários.

Um uso mais maduro deve ocorrer entre 5 e 8 anos, com impactos relevantes na forma como produtos e serviços financeiros são concebidos e distribuídos.

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