Igor Rocato Nogueira
Head de Produtos
Fatos Relevantes de 2025
- Desaceleração do crescimento vs. aceleração da transformação digital: O ano de 2025 foi marcado por uma desaceleração do ritmo de crescimento do mercado de meios de pagamento, influenciada por um cenário macroeconômico mais restritivo. O impacto foi mais evidente no varejo físico e no consumo discricionário, resultando em volumes mais pressionados. Ao mesmo tempo, meios digitais mantiveram desempenho superior, com e-commerce, Pix e pagamentos por aproximação (NFC) sustentando a expansão da digitalização dos pagamentos.
- Integração dos meios de pagamento como resposta estratégica: Consolidou-se a migração de modelos focados em produtos isolados para abordagens mais integradas, conectando diferentes meios de pagamento, dados e serviços financeiros, com maior foco na principalidade e na recorrência do cliente.
- Avanço da agenda regulatória: O período foi marcado por avanços regulatórios relevantes, preparando o setor para transformações estruturais em 2026, especialmente nos temas de cartões de benefícios, tributação e novos normativos do Banco Central.
A SafraPay em 2025/26
O ano de 2025 foi de evolução consistente para a SafraPay. Seguimos avançando de forma estruturada em nosso modelo de negócios, com uma integração cada vez maior ao core do Banco Safra, reforçando uma proposta de valor que combina solidez financeira, tecnologia e proximidade com o cliente.
Ao longo do ano, mantivemos forte foco na agenda de qualidade, conquistando o selo RA 1000, e na ampliação de soluções que estimulam a transacionalidade dos nossos clientes. Evoluímos além da adquirência tradicional, fortalecendo ofertas mais integradas que combinam meios de pagamento, serviços financeiros e modelos de gestão, sempre com o objetivo de apoiar o dia a dia dos estabelecimentos de forma mais completa e relevante.
Em paralelo, avançamos de maneira disciplinada em eficiência e monetização, ajustando processos, priorizando iniciativas com retorno claro e reforçando a sustentabilidade do negócio em um cenário macroeconômico ainda desafiador, marcado por juros elevados e maior pressão sobre o consumo.
Para 2026, a expectativa é seguir aprofundando essa estratégia: fortalecer a integração com o banco, ampliar soluções completas ao longo da jornada do cliente e capturar crescimento de forma equilibrada, combinando qualidade, eficiência e geração consistente de valor.
Assimetria Regulatória
Apesar dos avanços institucionais, bancos e fintechs ainda operam sob assimetrias regulatórias e tributárias relevantes. Diferenças em exigências prudenciais, capital, supervisão e obrigações acessórias impactam custos, precificação e capacidade de investimento de forma desigual.
Em um ambiente de juros elevados e maior exigência por rentabilidade, essas assimetrias tornam-se ainda mais sensíveis. O caminho para um mercado mais equilibrado passa por uma regulação proporcional ao risco, com isonomia competitiva, previsibilidade e segurança jurídica, permitindo que todos nós possamos atuar com inovação responsável sem comprometer a estabilidade do sistema.
Cartões para a Alta Renda
O movimento de expansão dos cartões voltados à alta renda segue relevante, mas entra em uma fase de maior racionalidade econômica. A viabilidade desses produtos depende cada vez mais de uma gestão cuidadosa do equilíbrio entre benefícios, custos e lifetime value do cliente.
O diferencial competitivo migra do excesso de atributos para propostas mais personalizadas, integradas e sustentáveis, combinando serviços financeiros, experiências e tecnologia, com foco claro em retorno de longo prazo e profundidade de relacionamento.
Inteligência Artificial
A inteligência artificial consolida-se como um dos principais vetores de eficiência, produtividade e diferenciação competitiva no setor. Seu papel evolui da automação de processos para o apoio direto à tomada de decisão, tanto das instituições quanto dos clientes, ao longo da jornada de pagamento.
Além dos ganhos já conhecidos em prevenção a fraudes e eficiência operacional, a IA avança em frentes como:
- apoio à decisão do cliente no momento do pagamento;
- orquestração inteligente de meios de pagamento;
- personalização dinâmica de jornadas e ofertas;
- aumento da produtividade interna por meio de agentes inteligentes;
- antecipação de comportamentos e necessidades.
O desafio está em escalar esses usos de forma ética, integrada e centrada no cliente, garantindo que a tecnologia atue nos bastidores, simplificando experiências e ampliando a capacidade de decisão.
Cartões de Benefícios
As mudanças regulatórias em curso representam uma transformação relevante no mercado de cartões de benefícios. Mais do que uma interferência pontual, trata-se de uma reconfiguração do modelo, que amplia a concorrência, estimula a interoperabilidade e exige maior eficiência dos participantes do ecossistema.
Esse movimento traz desafios importantes na adaptação de modelos comerciais e na pressão sobre estruturas tradicionais de receita. Por outro lado, favorece o aumento da penetração do benefício, o avanço tecnológico das soluções e uma experiência mais flexível e transparente para empresas contratantes, estabelecimentos e usuários finais.
Open Finance
O Open Finance segue como uma das principais alavancas para engajamento e principalidade, com avanços concretos na utilização da infraestrutura. Indicadores recentes mostram que o sistema brasileiro já opera em escala relevante, com bilhões de chamadas de APIs por semana, evidenciando que o Open Finance ultrapassou o estágio de mera conformidade regulatória e passou a atuar como base para inovação em pagamentos e serviços financeiros.
Apesar disso, ainda há desafios relacionados à simplificação das jornadas, à educação do consumidor e à ampliação de casos de uso com valor percebido claro. O sistema se encontra hoje em torno de 4 a 5 em uma escala de 0 a 10 em termos de maturidade prática, com potencial de evolução significativa ao longo dos próximos 3 a 5 anos.