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Acesso a Clientes

O cartão segue relevante, mas deixou de ser o centro exclusivo da estratégia de pagamentos — passando a ser apenas uma das camadas da experiência financeira do cliente.

Eduardo Goni

CEO

Fatos Relevantes de 2025

  1. Consolidação definitiva do Pix como infraestrutura central
    de pagamentos

    Em 2025, o Pix deixou de ser apenas um meio de transferência para se afirmar como plataforma de pagamentos completa. O avanço do Pix Automático, a preparação do Pix por aproximação e a discussão sobre parcelamento via Pix marcaram um ponto de inflexão: o Pix passou a disputar espaço não apenas com TEDs e boletos, mas diretamente com cartões de débito e, em alguns casos, crédito. Na minha visão, 2025 foi o ano em que o setor entendeu que o Pix não é mais “um produto do Banco Central”, mas infraestrutura sistêmica irreversível.
  1. Endurecimento regulatório e foco em solvência, governança e riscos
    O Banco Central avançou de forma consistente na agenda de robustez prudencial, com novas exigências de capital, governança, segregação patrimonial e controles para instituições de pagamento, fintechs e arranjos. Esse movimento marcou o fim do ciclo de crescimento baseado apenas em escala e aquisição de clientes. Em 2025, ficou claro que sobrevivência no setor depende de resiliência financeira, compliance e gestão de riscos, não apenas de inovação.

 

  1. Pressão estrutural sobre o modelo tradicional de cartões
    Apesar do crescimento nominal do volume transacionado, 2025 evidenciou uma compressão estrutural de margens no mercado de cartões, causada por Pix, regulação, competição entre adquirentes, wallets e novos modelos de crédito. O cartão segue relevante, mas deixou de ser o centro exclusivo da estratégia de pagamentos — passando a ser apenas uma das camadas da experiência financeira do cliente.

O Rendimento Pay em 2025/26

2025 foi o ano em que o setor de Meios Eletrônicos de Pagamento no Brasil deixou definitivamente a fase de “inovação experimental” e entrou na fase de maturidade competitiva, regulada e orientada a eficiência, dados e experiência e para nós não foi diferente. Adotamos em ampla escala o uso de inteligência artificial em processos operacionais, transacionais e análise de dados. Aprimoramos nossos canais de atendimento e ferramentas, melhorando a experiência do cliente e interação com o mesmo.

Em termos de produtos, consolidamos nossa participação no segmento PJ com o lançamento de nossos cartões de crédito empresarial com diferencias de controle e gestão através da nossa plataforma de tesouraria para as empresas clientes e parceiros revendedores. Aumentamos significativamente nossa carteira de cartões PF, crescendo acima do mercado em patamares de mais de 40% no volume transacionado. Demos continuidade à expansão do Rendix, nossa plataforma digital que possibilita que brasileiros em viagem ao exterior possam realizar pagamentos para adquirir bens ou serviços utilizando o Pix, ultrapassando mais de 50 mil estabelecimentos comerciais aptos a operar em diversos países. Crescemos também acima do mercado com nossas maquininhas de cartões, ampliando para novas regiões geográficas e novos segmentos.

Para 2026 esperamos um processo positivo de reorganização do mercado com as novas regulações do BACEN, alinhando risco, regulação e tributação. Este movimento pode abrir portas para bons negócios e novas parcerias, além de trazer maior segurança ao mercado e seus participantes, bem como para o consumidor final. Seguimos acreditando no crescimento de todos os meios eletrônicos de pagamento, principalmente pela continuidade da digitalização das relações de consumo e respectivos pagamentos.

Assimetria Regulatória

Na minha avaliação, não há equivalência plena, mas a assimetria hoje é menor do que já foi.

  • Bancos seguem mais onerados em capital, tributação (CSLL maior, PIS/Cofins cumulativo em alguns produtos) e obrigações sistêmicas.
  • Fintechs e IPs, por outro lado, passaram a enfrentar exigências crescentes de capital mínimo, autorização, governança e fiscalização, o que reduziu bastante a vantagem regulatória inicial.
  • O principal desequilíbrio atual não está apenas na regulação formal, mas na natureza do risco assumido. Muitas fintechs operam modelos com risco de crédito, liquidez e operacional muito próximos aos bancários, mas ainda sob regimes regulatórios mais leves.

Ajustes desejáveis:

  • Maior proporcionalidade baseada em risco, e não apenas em tipo societário.
  • Harmonização tributária mínima entre produtos funcionalmente equivalentes.
  • Regras mais claras para atividades “híbridas”, que hoje ficam em
    zonas cinzentas.

O objetivo não deveria ser igualar tudo, mas alinhar risco, regulação
e tributação
.

Cartões para a Alta Renda

O boom de cartões premium nos últimos dois anos se explica por três fatores principais:

  1. Cross-subsídio: clientes de alta renda concentram investimentos, seguros, crédito e consumo de alto ticket, compensando o custo dos benefícios.
  2. Monetização indireta: receitas vêm menos da anuidade e mais de intercâmbio, parcerias, breakage de pontos e acordos com companhias aéreas e hotéis.
  3. Estratégia de marca e principalidade: o cartão premium é, antes de tudo, um instrumento de retenção e posicionamento, não um produto isolado.

Olhando para frente, minha leitura é de continuidade com racionalização:

  • Menos lançamentos “cosméticos”.
  • Mais foco em experiência personalizada, lifestyle e integração digital.
  • Pressão para justificar economicamente benefícios muito caros.

 

Não vejo desaceleração abrupta, mas sim seleção natural.

Inteligência Artificial

Apesar do discurso, a IA ainda é usada majoritariamente para eficiência operacional (fraude, atendimento, cobrança). Há enormes espaços pouco explorados:

  • Precificação dinâmica de meios de pagamento, ajustando taxas e ofertas em tempo real conforme perfil e comportamento.
  • Gestão inteligente de limites e parcelamento, indo além de regras estáticas.
  • Orquestração de pagamentos (escolha automática do meio mais eficiente para cada transação).
  • Personalização real de benefícios e recompensas, com IA definindo o que faz sentido para cada cliente.
  • Prevenção preditiva de churn e inadimplência, atuando antes do evento ocorrer.

 

Na prática, o setor ainda usa IA como “motor de custos”, quando poderia usá-la como motor de receita e diferenciação competitiva.

Cartões de Benefícios

Na minha visão, o decreto não é mera interferência, mas uma modernização forçada de um modelo que operava com pouca transparência e baixa interoperabilidade.

Impactos por stakeholder:

  • Empresas de benefícios: Perdem margem e controle exclusivo, mas ganham oportunidade de escalar via tecnologia, dados e experiência. Quem dependia apenas de arranjos fechados perde espaço; quem inovar, sobrevive.
  • Credenciadoras: Ganham com maior abertura, competição e padronização. A interoperabilidade favorece players eficientes e digitais.
  • Empresas contratantes: Ganham mais flexibilidade, concorrência e potencial redução de custos.
  • Usuários finais: São os maiores beneficiados: mais aceitação, menos fricção e maior poder de escolha.

Quem perde? Modelos excessivamente dependentes de renda financeira implícita e pouca inovação.

Open Finance

O Open Finance é, na minha leitura, a maior oportunidade estratégica ainda subexplorada do sistema financeiro brasileiro.

Ele permite:

  • Visão 360º do cliente.
  • Ofertas hiperpersonalizadas.
  • Migração do modelo “produto-cêntrico” para “cliente-cêntrico”.
  • Disputa real pela principalidade financeira.

Em uma avaliação atual: Nota: 4/10

Podemos dizer que temos infraestrutura robusta e segurança, mas:

  • Baixa experiência para o usuário.
  • Poucos casos de uso realmente transformadores.
  • Uso ainda muito tático, não estratégico.

Horizonte para uso pleno:

Entre 3 e 5 anos, quando Open Finance, IA e pagamentos instantâneos estiverem plenamente integrados e orientados a jornadas completas, não apenas a compartilhamento de dados.

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