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A viabilidade dos cartões voltados ao público de alta renda está apoiada em uma combinação de fatores, como gastos elevados e recorrentes, anuidades, vínculo com investimentos e parcerias que ajudam a diluir os custos dos benefícios.

Leonardo Biondo

Chief Revenue Officer de CaaS Solutions

Fatos Relevantes de 2025

Em 2025, o Pix deu um novo salto competitivo ao avançar para além do pagamento instantâneo. Um primeiro marco foi a entrada em operação do Pix Automático, que inaugurou uma disputa direta com o débito automático tradicional e com parte do uso dos cartões em pagamentos recorrentes.

Um segundo movimento relevante foi o avanço do Pix Parcelado ou Pix Garantido, ainda em fase inicial, mas já indicando a entrada do Pix no território do crédito.

O terceiro destaque do ano foi o reforço da agenda de segurança e prevenção a fraudes, com novas regras e mecanismos para proteger o ecossistema e aumentar a confiança dos usuários.

Esse conjunto de mudanças acelerou a reação dos cartões, que intensificaram estratégias de diferenciação, como parcelamento, programas de fidelidade e benefícios, tornando o mercado de meios de pagamento mais competitivo e orientado por dados.

A Serasa Experian em 2025/26

2025 foi um ano de avanços consistentes para a Serasa Experian, marcado pela ampliação do uso estratégico de dados para apoiar decisões mais seguras ao longo da jornada de crédito, autenticação e prevenção à fraude. Em um ambiente de constante evolução tecnológica, seguimos fortalecendo nossa posição como a maior datatech do Brasil, com foco em gerar valor prático para empresas, consumidores e parceiros.

Ao longo do ano, avançamos por meio de aquisições e iniciativas que ampliaram nosso ecossistema e aprofundaram nossa atuação em setores-chave da economia, como na frente de consignado privado e, principalmente, sobre a incorporação de fontes de dados transacionais e alternativos, que ampliam a visão de comportamento financeiro e permitem análises mais dinâmicas e precisas ao longo da jornada de crédito e prevenção a fraude. Além disso, demos passos relevantes na diversificação das aplicações analíticas, fortalecendo a segurança antifraude e desenvolvendo ações também no segmento de saúde digital.

A agenda de impacto e ESG seguiu como um eixo transversal da estratégia. Evoluímos em projetos ligados à mensuração de pegada de carbono, apoio ao empreendedorismo e inovação, com iniciativas como o Impulsiona PME, Startups e Agro, além do Transforme-se, que conectou dados, educação e desenvolvimento econômico.

Para 2026, seguiremos explorando novas avenidas de crescimento e apoiando diferentes Cadeias, com soluções cada vez mais aprofundadas, eficientes, seguras e sustentáveis – sempre com os dados como fio condutor para decisões melhores e mais confiáveis.

Assimetria Regulatória

Hoje, bancos e fintechs não operam em condições totalmente equivalentes do ponto de vista regulatório e tributário. Isso acontece porque os dois modelos foram pensados, originalmente, para realidades diferentes: os bancos lidam com um conjunto mais amplo de riscos e, por isso, tendem a estar sujeitos a exigências maiores de capital, governança e supervisão. Por outro lado, muitas fintechs surgiram com estruturas mais leves e foco em produtos específicos.

O ponto de atenção surge quando essas diferenças permanecem mesmo em ofertas semelhantes, o que pode gerar desequilíbrios competitivos. Para tornar o ambiente mais equilibrado, um dos caminhos possíveis é a aplicação do princípio de “mesma atividade, mesmas regras”, com exigências proporcionais ao risco e à escala de cada operação. Avançar na harmonização regulatória e na previsibilidade tributária tende a contribuir para a preservação da concorrência, o estímulo à inovação e o fortalecimento do sistema como um todo.

Cartões para a Alta Renda

A viabilidade dos cartões voltados ao público de alta renda está apoiada em uma combinação de fatores. Esse perfil tende a concentrar gastos mais elevados e recorrentes, o que amplia a geração de receita ao longo do relacionamento. Além disso, parte dos benefícios é financiada por anuidades, exigências de vínculo com investimentos ou renda mínima, e por parcerias com companhias aéreas, hotéis e outros players que ajudam a diluir os custos das experiências oferecidas.

Olhando para frente, a tendência é de continuidade desse movimento, uma evolução clara de modelo. Em vez de ampliar indiscriminadamente o volume de benefícios, as instituições devem avançar para uma lógica de hiperpersonalização, usando dados de comportamento e padrões de consumo para oferecer experiências mais relevantes e sustentáveis. A diferenciação tende a vir menos de pacotes fixos e mais de benefícios dinâmicos, ajustados ao perfil, ao momento de vida e ao uso real do cartão. Nesse contexto, o uso inteligente de dados e analytics se torna central para equilibrar atratividade ao cliente e viabilidade econômica dos produtos.

Inteligência Artificial

Embora a inteligência artificial já traga ganhos relevantes de eficiência interna no setor, ainda há espaço para um uso mais amplo e estratégico nos Meios Eletrônicos de Pagamento. Um exemplo é a prevenção a fraudes, que em muitos casos ainda depende de regras estáticas ou modelos pouco adaptativos, quando poderia evoluir para análises mais contextuais e em tempo real, reduzindo fricção para o cliente sem abrir mão da segurança.

Outro campo com grande potencial é a gestão do relacionamento com clientes e estabelecimentos. A IA ainda é pouco explorada para personalizar limites, ofertas, parcelamentos e benefícios com base no comportamento real de uso, bem como para automatizar disputas, chargebacks e processos de contestação. O avanço nessas frentes pode transformar a IA de uma ferramenta operacional em um verdadeiro diferencial competitivo para o setor.

Cartões de Benefícios

As mudanças estabelecidas pelo decreto alteram parâmetros operacionais do mercado de cartões de benefícios, ao definir regras sobre interoperabilidade, limites de taxas e práticas comerciais. Com isso, o setor passa a operar sob um novo conjunto de condições que afeta a forma como os produtos são estruturados e distribuídos.

Para as empresas de benefícios, o cenário exige revisões de modelo e de eficiência operacional.

Para credenciadoras e estabelecimentos, as regras impactam a dinâmica de aceitação e precificação. Já para empresas contratantes e usuários finais, as mudanças tendem a influenciar a experiência de uso e a amplitude da rede de aceitação. Os efeitos mais amplos dependem do ritmo e da forma de adaptação dos diferentes agentes ao novo ambiente regulatório.

Open Finance

O Open Finance cria condições para que os players aprofundem o relacionamento com seus clientes ao permitir uma visão mais integrada da vida financeira, sempre com consentimento. Isso viabiliza ofertas mais aderentes ao perfil de uso, jornadas mais simples e experiências mais personalizadas, fatores que contribuem para aumentar engajamento e principalidade.

Apesar dos avanços, o uso do potencial do Open Finance ainda está em estágio intermediário. Em uma escala de 0 a 10, é possível dizer que o mercado se encontra em torno de 6, com maior concentração em casos de uso ligados a crédito e onboarding. A ampliação para o uso pleno depende da consolidação de experiências mais fluidas para o consumidor e de uma integração mais profunda com pagamentos e serviços do dia a dia, algo que tende a ocorrer de forma gradual nos próximos anos.

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