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Acesso a Clientes

O valor do cartão não está só no limite disponível, mas na sensação de pertencimento, no acesso a experiências e na conexão emocional que ele cria com a marca.

Thierry Guihard

CEO

Fatos Relevantes de 2025

Em 2025, o mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento deu um salto importante em maturidade. O crescimento dos cartões seguiu forte, mas o que realmente chamou atenção foi como o pagamento por aproximação virou hábito: hoje, pagar com um toque já é quase automático para o consumidor.

Ao mesmo tempo, o e-commerce continuou avançando em ritmo acelerado com carteiras digitais, Pix e os modelos A2A — transferências diretas entre contas, estão ganhando cada vez mais espaço na jornada de compra.

Outro ponto relevante foi a evolução do próprio ecossistema com o Open Finance. A integração entre contas e maior foco em segurança mostraram que o setor não está apenas crescendo em volume, mas em qualidade de experiência.

Esse movimento também chega de forma expressiva ao mercado de benefícios, que passa a operar em um ambiente mais digital, mais conectado e mais centrado no usuário, reforçando o papel dos benefícios como parte natural da vida financeira das pessoas.

A Pluxee em 2025/26

2025 foi um ano de crescimento e transformação para a nossa organização. Realizamos uma aquisição estratégica com a Benefício Fácil, que fortalece nossa atuação em mobilidade e nos posiciona de forma mais competitiva no vale-transporte, combinando tecnologia, inteligência e uma abordagem mais consultiva para as empresas. Em paralelo, seguimos avançando na construção da Pluxee como uma marca própria e cada vez mais reconhecida no mercado, unindo mais de 40 anos de experiência em benefícios, originados na Sodexo, a um posicionamento digital-first, inovador e orientado a dados.

Como parte desse movimento, reforçamos nosso papel como geradores de conhecimento para o setor, investindo em estudos proprietários como o The Happiness Index — plataforma britânica de tecnologia e RH que utiliza neurociência e inteligência artificial para medir engajamento, cultura organizacional e bem-estar. Essas análises ajudam líderes de RH a tomarem decisões mais estratégicas, com impacto direto na experiência do colaborador.

Nesse processo, reforçamos nosso papel como geradores de conhecimento para o setor. Os estudos conduzidos pela nossa área de pesquisas em 2025 mostraram que, apesar das transformações no mundo do trabalho, a principal prioridade do trabalhador continua sendo a alimentação. Vale-alimentação e vale-refeição seguem como os benefícios mais valorizados, refletindo o peso crescente desse custo no orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, os dados levantados indicam que colaboradores que recebem benefícios apresentam níveis mais altos de satisfação e recomendação da empresa, reforçando o papel dos benefícios como ferramenta estratégica de atração, retenção e engajamento.

Para 2026, nossa expectativa é acelerar essa trajetória, ampliando nossa presença por meio da parceria com o Santander, aprofundando o uso de dados e tecnologia e fortalecendo nossa atuação como plataforma de benefícios. Nosso foco é seguir apoiando empresas na construção de experiências mais relevantes, humanas e conectadas à realidade financeira dos trabalhadores, combinando inovação, propósito e impacto real no dia a dia das pessoas.

Assimetria Regulatória

Bancos e fintechs ainda não operam em condições totalmente equivalentes do ponto de vista regulatório e tributário, nasceram sob modelos de negócio, perfis de risco e estruturas de supervisão diferentes. O que temos visto é um movimento gradual de aproximação, com mais atenção dos reguladores a temas como transparência, governança e proteção ao consumidor. Na prática, o caminho mais saudável é seguir avançando em ajustes que promovam maior equilíbrio competitivo, sem comprometer a inovação nem a segurança do sistema.

Cartões para a Alta Renda

Nos últimos anos, os cartões voltados à alta renda deixaram de ser apenas instrumentos de pagamento e passaram a funcionar como plataformas de relacionamento. A combinação de dados, tecnologia, parcerias e monetização indireta permitiu que esses produtos integrassem serviços financeiros, experiências e benefícios de forma muito mais fluida. Hoje, o valor do cartão não está só no limite disponível, mas na sensação de pertencimento, no acesso a experiências e na conexão emocional que ele cria com a marca, especialmente em contextos como viagens, lazer e consumo aspiracional.

Ao mesmo tempo, programas de fidelidade e vantagens deixaram de ser apenas mecanismos de pontos, descontos ou cashback e passaram a se consolidar em plataformas de engajamento, baseados em curadoria, personalização e relevância no cotidiano. Entendo que esse movimento tende a se intensificar, trazendo mais foco em relevância, hiperpersonalização, uso efetivo e integração entre pagamento, experiência e relacionamento de longo prazo.

Inteligência Artificial

Embora a IA tenha sido amplamente internalizada para ganhos de eficiência, o setor de meios eletrônicos de pagamento ainda representa muitas oportunidades para criação de valor para as pontas do ecossistema. No lado da aceitação, a IA pode ir além do processamento de transações ao atuar como um “CFO virtual” para os pequenos e médios varejistas, analisando fluxos de caixa e dados transacionais para recomendar antecipações de recebíveis sob medida ou sugerir combos de produtos que elevem o ticket médio. Essa inteligência é estendida ao onboarding e à gestão do ciclo de vida dos estabelecimentos, onde modelos preditivos garantem um credenciamento acelerado e mais robusto, validando automaticamente a consistência entre a atividade declarada e o comportamento real de venda, o que mitiga riscos de fraude antes mesmo de sua materialização.

Na perspectiva do usuário final, a grande fronteira reside na transformação do saldo de benefícios em uma ferramenta de bem-estar financeiro através de interfaces generativas de assistência. Em vez de uma consulta passiva de extrato, a IA deve atuar como um coach financeiro que orienta o trabalhador a otimizar o uso do saldo para que ele dure até o final do mês, sugerindo estabelecimentos com melhor custo-benefício e personalizando ofertas dentro das regras de cada produto.

Cartões de Benefícios

O Decreto 12.712/25 nasce com a proposta de modernizar o setor ao reforçar a interoperabilidade. Ao mesmo tempo, ao estabelecer tetos e condições comerciais de forma padronizada, ele altera de maneira relevante a lógica de como o mercado opera, transferindo parte relevante da competição para um ambiente regulado por preço. Os efeitos reais dessas mudanças ainda vão depender, em grande parte, de como a implementação acontecerá na prática.

No curto prazo, é natural que os estabelecimentos percebam ganhos em termos de condições comerciais. Por outro lado, quando os preços ficam mais engessados, existe o risco de reduzir a diferenciação entre as empresas de benefícios e diminuir o incentivo para investimentos em tecnologia, prevenção a fraudes, atendimento e qualificação da rede credenciada. Também pode haver um efeito de concentração no setor de benefícios, favorecendo os players com maior escala e tornando o ambiente mais desafiador para empresas menores e regionais.

Para empresas contratantes e trabalhadores, ainda não há uma relação direta que comprove que essas mudanças se traduzirão em redução efetiva no custo da alimentação. No fim, o desafio do setor será encontrar um ponto de equilíbrio: aumentar eficiência e concorrência sem transformar o mercado em um modelo excessivamente padronizado, menos inovador e com menor capacidade de investimento. Tudo isso sem perder de vista o papel social do benefício, que é garantir acesso à alimentação e proteger o poder de compra do trabalhador.

Open Finance

O Open Finance ajuda a tornar o sistema mais transparente e eficiente, ao permitir que as instituições conheçam melhor o perfil do cliente e ofereçam produtos e condições mais adequados, ao mesmo tempo em que simplifica a vida do consumidor, que não precisa atualizar seus dados em cada banco.

Apesar de o modelo já ser tecnologicamente maduro, a adoção ainda é limitada, principalmente por desconhecimento e receio em relação à segurança das informações. Por isso, eu colocaria o uso do potencial do sistema hoje em algo entre 3 e 4.

A consolidação do Open Finance vai depender menos de infraestrutura e mais de comunicação, educação e de casos de uso claros no dia a dia, que mostrem na prática tanto a segurança quanto o valor real em termos de acesso a crédito, melhores condições e maior integração dos dados financeiros.

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