Denis Silva
CEO
Fatos Relevantes de 2025
O Pix passou por uma evolução regulatória muito importante, e acredito que esse movimento irá continuar em 2026, com foco na segurança. O Pix, hoje, já é muito mais que uma transferência. Existem muitas empresas que exploram zonas cinzentas na regulação do Pix para estruturar negócios, sem muita transparência. Em 2025, o Banco Central determinou normas mais claras para algumas atividades, e esperamos que esse movimento continue em 2026.
Outro avanço de 2025 foram os passos importantes dados no âmbito da duplicata escritural. Vejo a duplicata escritural como uma nova oportunidade para trazer visibilidade a um mercado que é muito marginal – afinal, muita coisa no Brasil é feita com duplicata mercantil. É um mecanismo que vai trazer muita luz ao mercado de recebíveis e ajudará a ampliar o acesso ao crédito – e 2025 foi um ano-chave neste sentido. E este tema está diretamente ligado ao meio de pagamento, porque existe uma compra por trás, envolve uma transferência de recurso.
E, ainda dentro dos meios de pagamento, entendo que 2025 foi mais um ano de avanço das jornadas integradas, em que o atrito continuou caindo. Mas a segurança não está acompanhando esse movimento no mesmo passo. Precisamos trazer uma experiência mais fluida, e essa evolução de segurança vai ser muito importante para a confiabilidade do mercado.
O Efi Bank em 2025/26
Para o Efí Bank, 2025 foi um ano de grandes marcos, em que nos fortalecemos para 2026. No crédito, originamos R$ 200 milhões só com antecipação de recebíveis, um número bastante representativo. Tivemos um saldo muito grande e positivo, não só na antecipação de recebíveis, mas também em produtos como capital de giro. Ou seja, apesar de também sermos afetados por tudo que o mercado está sofrendo (sobretudo a alta taxa de juros), atingimos uma maturidade muito boa. Na parte de crédito, foi um ano muito bom, mesmo com os desafios.
Olhando para 2026, há a perspectiva de a Selic cair com a desaceleração da inflação, mas também de aceleração da inadimplência. Quando os juros caem, logicamente isso aumenta a oportunidade para o cliente, e entendemos que precisamos oferecer os melhores serviços.
Olhando para a atuação no mercado de pagamentos, nossa posição é forte e madura, com Pix e boleto bem estruturados, e com perspectiva de entrar mais forte nos cartões de crédito em 2026. Isso sem falar na oportunidade que surge com a duplicata escritural.
O pagamento tem se tornado uma commodity – e cada vez mais barata. É preciso trazer um preço competitivo e agregar serviços. Por isso, estamos olhando para combos que combinem mais soluções, atendimento de qualidade e jornadas mais simples. Estamos mostrando para os clientes o valor que agregamos e vamos entregar a eles soluções completas.
Resumindo, 2025 foi um ano de aprendizado, preparatório. Tivemos alguns resultados de curto prazo, e é só o começo de uma escada que vamos subir. Nos preparamos justamente para poder acelerar as operações, fazer investimentos (mesmo sem captações externas) e acompanhar as necessidades de um mercado desafiador, mas cheio de oportunidades.
Assimetria Regulatória
Quando em 2013 o Banco Central estabeleceu diretrizes deste mercado e possibilitou que muitas empresas operassem, ele tinha um propósito muito focado na competitividade. Em 2010, uma pessoa pagava R$ 35 reais para fazer uma TED; hoje, muitas vezes não paga nada.
Há uma agenda real que trouxe melhoras, e muito por conta de atualizações do arcabouço regulatório a uma atualidade bem competitiva. Cada vez mais, não é o banco que escolhe o cliente, mas o cliente que escolhe o banco.
Vejo que há um senso de correção de rota em alguns movimentos. E vejo que tratar todo mundo da mesma forma não é o caminho, também. Acredito que o movimento de ajuste precisa ser escalonado, proporcional ao tamanho. Mas sem manter o custo regulatório tão alto quanto estava até agora.
Há um problema de equalização dos termos, tanto da carga quanto do regulamento – uma disparidade relevante entre grandes e pequenas empresas do setor. Essa estruturação para equalizar as regras é importante, mas é preciso um movimento concomitante de fiscalização, para garantir que todos estão seguindo as regras e não há brechas para concorrência desleal.
Ainda há um desequilíbrio, mas concordo em grande parte com o que está sendo proposto pelos reguladores até aqui. Mas precisamos tomar um grande cuidado para não impactar os clientes, porque criamos um ambiente competitivo muito interessante para os usuários.
Cartões para a Alta Renda
Alta renda é um segmento em que o cartão acaba sendo um veículo de monetização de outras linhas. E vejo que é um mercado que está ficando muito estreito, muito marcado para hiperpersonalização e para a experiência.
O principal case conhecido é a sala VIP dos aeroportos. Mas hoje, muitas vezes, a sala VIP tem mais gente dentro do que fora dela. Então, as instituições estão criando mais camadas de experiência, para entregar mais valor à alta renda.
Quando o cliente tem uma renda muito alta, a ideia seria entregar um cartão com personalização para ele ter uma experiência tão boa que ele não queira sair do banco. No fim, o cartão vira mais um instrumento de fidelização do que realmente um meio de ganhar dinheiro. Afinal, esse cliente vai fazer investimentos, operações… O verdadeiro ganho das instituições está nessas atividades, não no cartão em si.
Inteligência Artificial
É preciso tomar muito cuidado com a ampla utilização de IA. A maior parte das empresas ainda não têm processos maduros o suficiente para usar agentes autônomos na tomada de decisões que vão interferir de forma ampla nas suas operações e na vida do cliente.
Um ponto em que vejo espaço para uso são os chats, que podem ser ainda muito aprimorados. Com um prompt bem-feito, é possível colher mais informações com o cliente, para que a demanda dele chegue a um atendente de uma forma completa. Entendendo, cruzando, trazendo informação e tomando pequenas decisões, usando o próprio cliente como avaliador. E possibilitando ganhos de produtividade nos processos. Isso vale também para detecção de comportamentos, melhorias de fluxos, ou seja, principalmente para processos ligados à informação.
À medida que a IA for evoluindo, vamos conseguir aplicá-la em processos mais críticos, mais “para cima”.
Cartões de Benefícios
A nova regulação vai abrir uma competição muito maior para as novas empresas, que são de arranjo aberto, via bandeira tradicional – as duas maiores estão presentes em algo como 98% do mercado brasileiro. Dentro desse modelo, mesmo sendo voucher, você não depende mais do PDV, você depende do arranjo, e o arranjo já é consolidado.
Você barateia o custo, então as empresas de benefícios que já têm arranjo aberto vão ter um poder muito maior de negociação. Isso vai gerar uma competição em torno do serviço em si, e não só nas condições financeiras para o empregador. O funcionário terá um protagonismo muito maior nessa jornada.
Open Finance
O Open Finance é muito importante no mercado, principalmente para o cliente. Olhando para a principalidade, ele possibilita ter interfaces que centralizam tudo em um aplicativo (que pode ser um super app). Ou seja, o Open Finance cria as situações dessa forma: traz uma clareza para o cliente, que ganha poder de negociação.
Mas o Open Finance não decolou da mesma forma que o Pix, se compararmos os últimos anos – e são novidades que surgiram mais ou menos na mesma época. Isso acontece porque há mais interesses envolvidos – se uma instituição abre os dados de seu cliente, cria um oferecimento de competitividade para seu concorrente.
Por isso, os empresários muitas vezes preferem não entrar, mesmo que para o cliente seja ótimo. Até por isso, não acho que vá avançar tão rápido. Estamos com 20% ou 30% de evolução da agenda. E não vejo, em um horizonte de 5 anos, isso andar mais rápido do que vem andando.