Log in

Acesso a Clientes

O grande diferencial será conseguir construir produto ou serviço com a IA ‘embedada’.

AP Conde

CFO & CRO do Sem Parar - Corpay

Fatos Relevantes de 2025

Free Flow: Em 2025, observou-se a consolidação e a expansão do modelo Free Flow, sobretudo nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que já realizaram leilões de concessões rodoviárias integralmente baseados nesse sistema. Paralelamente, o Governo Federal passou a estimular a substituição das praças de pedágio tradicionais por pórticos Free Flow. Atualmente, o modelo de pagamento está estruturado com a aceitação das tags eletrônicas, que contam com descontos, além de alternativas de arrecadação para usuários sem tag, como pagamento posterior por outros meios.

Pix automático: Evolução na definição de regras e UX, bem como cronograma para a implementação do Pix automático que oferece o potencial de substituir o débito automático tradicional. Mesmo com atrasos, é uma importante fase de expansão do Pix no Brasil.

Regulamentação do ecossistema de benefícios: Em 2025 houve muitas alterações regulatórias no segmento de Benefícios, afetando prazos de repasse, limites de MDR entre outros.

O Sem Parar em 2025/26

2025 foi um ano especial para o Sem Parar, marcado pelos 25 anos da companhia e pela consolidação de um ecossistema completo de mobilidade que atua de ponta a ponta nos segmentos B2C e B2B.

No B2C, mantivemos um crescimento sustentável, consolidando nossa base para 7,5 milhões de tags ativas. Com cobertura total de pedágios, expandimos nossa presença para mais de 8 mil pontos urbanos, entre postos de abastecimento e estacionamentos. Com a chegada do Free Flow, ampliamos nossa atuação em praças pedagiadas e novas opções de planos. Com o novo posicionamento “Tudo pro seu Carro”, reforçamos nossa atuação como uma plataforma completa de mobilidade, muito além do pedágio. Com o SuperApp Sem Parar, oferecemos mais de 30 funcionalidades, desde pagamento de débitos veiculares a recarga de veículos elétricos, e seguros e assistências, área em que registramos crescimento de 42%. Crescemos ainda no segmento financeiro com o cartão de crédito Sem Parar Mais e realizamos nossa segunda aquisição no ecossistema de débitos veiculares, com a entrada do Gringo após a integração da Zapay em 2024.

No B2B, o Sem Parar Empresas também registrou um desempenho sólido e contínuo, alcançando a marca de 1,3 milhão de veículos na base e reforçando nossa liderança com um crescimento de 56% no Vale Pedágio Obrigatório. Expandimos nossa capilaridade para 13 mil postos integrados, superamos 1 milhão de usuários ativos em soluções de benefícios e lançamos o produto de gestão de multas, oferecendo mais inteligência e controle para as frotas.

Em 2026, vamos fortalecer nosso ecossistema de mobilidade por meio de novas parcerias e experiências de pagamento ainda mais simples para os motoristas, enquanto evoluímos nossas soluções com mais tecnologia, eficiência e valor para a gestão de mobilidade das empresas.

 

Assimetria Regulatória

Creio que o Banco Central endureceu as regras para as Instituições de Pagamento, aproximando-as das Instituições Financeiras, com exigências de maior capital, etapas mais rigorosas de aprovação e maior nível de conformidade regulatória. Após mais de dez anos de regulamentação das IPs, esse movimento era esperado, diante do crescimento do mercado e do aumento do risco sistêmico. Ainda assim, é importante calibrar esse processo para evitar um engessamento excessivo da indústria, que possa comprometer o diferencial competitivo das fintechs entrantes.

Uma alternativa é a regulação passar a ser funcional e pelo volume. Desta forma, serviços semelhantes teriam custos regulatórios equivalentes aos de bancos, conforme risco e escala. Nesse cenário, a assimetria seria aceitável de forma temporária e proporcional, tendo o aumento da exigência regulatória conforme o crescimento do negócio.

Cartões para a Alta Renda

A tendência desse segmento é de intensificação. Apesar de ser muito competitivo, os gastos médios são muito elevados e o risco de crédito é significativamente mais baixo. Então, apesar de também terem desafios de rentabilidade pela baixa receita financeira e, às vezes, altos custos, sempre é atrativo aos emissores essa alavancagem dos indicadores.

Inteligência Artificial

A inteligência artificial é, sem dúvida, uma transformação que veio para ficar, e impressiona a velocidade com que as empresas buscam incorporá-la aos seus processos. Na prática, porém, a implementação não é tão simples nem imediata, e a obtenção de ganhos reais exige tempo, ajustes e maturidade. Ainda assim, o movimento é simultâneo e generalizado: ninguém quer ficar de fora.

A área de relacionamento com o cliente já é um dos campos mais consolidados de aplicação da IA e tende a evoluir de forma significativa. O público está cada vez mais tolerante — e até confortável — em interagir com a “máquina”, e a sucessão de experiências em produção deve ajudar a definir boas práticas que, no futuro, permitirão que praticamente todas as empresas contem com soluções de IA para atendimento e cobrança.

Os processos internos ainda precisam incorporar muito mais a IA, mas é questão de tempo.

Acho que o grande diferencial será em quem conseguir construir seu produto ou serviço com a IA “embedada”, talvez serviços ainda nem existentes. Esse pode ser o grande salto, como o surgimento das big techs no passado.

Cartões de Benefícios

Entendemos que a ambição do decreto 12.712/25 é modernizar o setor de benefícios, e sempre que houver esta intenção, apoiaremos integralmente. Nossa atuação em múltiplas modalidades — PAT, auxílio e cartão multibenefícios de arranjo aberto — nos posiciona estrategicamente para atender todas as demandas do mercado. Contudo, entendemos que a profundidade das mudanças propostas requer maior alinhamento com a indústria sobre prazos de implementação e sobre as particularidades operacionais do setor, garantindo que a transição preserve a sustentabilidade do Programa de Alimentação do Trabalhador e não comprometa a qualidade do serviço prestado aos usuários finais.

Defendemos que a evolução do modelo de benefícios deve priorizar ganhos concretos para trabalhadores e empresas contratantes, sem criar rupturas abruptas que possam prejudicar a cadeia de credenciados e a continuidade operacional das empresas de benefícios. As novas regras apresentam oportunidades de aprimoramento do setor, mas sua implementação exige diálogo técnico para equilibrar inovação com viabilidade, assegurando que todos os elos — empresas de benefícios, credenciadoras, empresas contratantes e usuários finais — compartilhem dos benefícios da modernização de forma sustentável.

 

.