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O BC e demais órgãos reguladores fazem um trabalho competente no sentido de gerar equilíbrio regulatório entre os diferentes players do mercado financeiro, assegurando a competitividade e o benefício aos consumidores. (...) O ano de 2025 confirmou que o mercado de pagamentos instantâneos continua em forte crescimento, com o Pix alcançando volumetria superior ao mercado de débito. (…) A tendência para os cartões de alta renda é de evolução e maior segmentação, com foco crescente em personalização, valor percebido e eficiência econômica.

Thiago Rossoni, Virginia S. da Cunha e Felipe Sessin

Diretor-executivo de Produtos e Serviços, Superintendente de Meios de Pagamento, Superintendente de Arrecadação, Aceitação e Cobrança

Fatos Relevantes de 2025

Virginia Silva da Cunha: Diante de um cenário extremamente dinâmico, o mercado de meios de pagamento mostrou-se desafiador, impulsionado pelo forte foco do Banco Central no fortalecimento da segurança do arranjo Pix, pelas evoluções nas formas de pagar e pelo esforço dos cartões em manter seu crescimento frente à competitividade dos demais emissores e ao avanço geral das soluções de pagamento.
Nesse contexto, o modelo de negócio cooperativo, no qual o Sicredi está inserido, permanece aquecido e repleto de oportunidades.

Assim como no ano anterior, em termos de cartão de crédito, o Sicredi performou acima do mercado. Superamos a projeção de crescimento anual estimada pela Abecs, que era de 9 a 11% para cartão de crédito em 2025. Mantivemos a 7ª colocação no ranking de volume de faturamento de crédito entre todos os emissores de cartão de crédito do Brasil, segundo levantamento da CardMonitor – 3º trimestre de 2025. Vale ressaltar que, entre os 10 maiores emissores com faturamento acima de 10 Bi, fomos a instituição que mais cresceu no comparativo acumulado jan-set/25 x jan-set/24: crescimento de 22%. O que representa 2,7% da fatia de mercado.

O ano de 2025 confirmou que o mercado de pagamentos instantâneos continua em forte crescimento. Com a consolidação dos pagamentos via Pix em todos os ramos do mercado, vimos as transações P2B (pagamentos de pessoas físicas para empresas) crescendo ainda mais e com grande representatividade no arranjo, alçando o Pix a um patamar de volumetria superior ao mercado de débito e marcando território na indústria de meios de pagamento.

Tivemos o lançamento do Pix por Aproximação e do Pix Automático, assegurando simultaneamente o acompanhamento de todos os itens da agenda evolutiva do Banco Central. Além disso, avançamos no aprimoramento das experiências que geram valor direto para o negócio, com foco consistente no fortalecimento da segurança.

Essas evoluções também permitiram que a operação de aceitação do Sicredi siga em ritmo de crescimento consistente. Aumentamos a representatividade no mercado ano a ano, em 2025 registramos um crescimento no volume de transações de 20% no comparativo com 2024. Também tivemos o registro do maior valor transacionado da nossa histórica, com R$ 91,4 bilhões.

Diante disso, o pilar estratégico de manutenção da estabilidade operacional permaneceu como prioridade máxima no nosso ecossistema de pagamentos, celebramos a manutenção dos índices de disponibilidade em padrões de excelência junto ao regulador.

No âmbito do Drex, foi concluída a segunda fase do piloto, durante a qual foram avaliados 13 casos de uso relacionados à tokenização, além de testes ampliados de soluções de privacidade. Ao término dessa etapa, verificou-se que a arquitetura tecnológica adotada não atendia plenamente aos requisitos definidos pelo Banco Central, o que levou à decisão pela sua descontinuidade. Conforme já comunicado pelo Banco Central, o projeto terá continuidade em 2026, com foco na análise e validação de uma nova abordagem tecnológica e na priorização do caso de uso de crédito colateralizado, visando prover mecanismos de garantia mais seguros, eficientes e alinhados às necessidades do sistema financeiro.

O Sicredi em 2025/26

Thiago Rossoni: Marcado como o Ano Internacional das Cooperativas pela ONU, 2025 foi de grandes realizações e importantes marcos para o Sicredi. Sempre tendo como propósito gerar prosperidade entre nossos associados e sociedade, mantivemos nossa trajetória de crescimento, levando o cooperativismo de crédito a cada vez mais brasileiros. Atingimos o marco de 3 mil agências distribuídas em mais de 2,2 mil municípios do país. Nossos colaboradores já são mais de 50 mil e, pelo segundo ano consecutivo, fomos reconhecidos como a melhor empresa para se trabalhar no Brasil pelo ranking GPTW.

Geramos mais de R$ 25,5 bilhões em benefícios aos nossos associados a partir de fatores como taxas mais justas e distribuição de resultados e nosso investimento social total que, direcionado a programas e iniciativas de benefício à sociedade, superou R$ 1 milhão por dia. Esses resultados se somam a marcos financeiros como, por exemplo, os mais de R$ 250 bilhões em carteira de crédito e R$ 450 bilhões em ativos, mas esses números só fazem sentido se gerarem impacto positivo entre as pessoas.

Em 2026, estaremos muito próximos de atingir o patamar de 10 milhões de associados ao Sicredi, assim como seguiremos ampliando nossa presença física e soluções digitais para que os benefícios do cooperativismo de crédito gerem ainda mais prosperidade em todas as regiões do Brasil.

Assimetria Regulatória

Thiago Rossoni: Entendemos que o Sistema Financeiro Nacional está sempre em evolução, buscando adequar-se às novas demandas geradas, principalmente, pelo avanço da tecnologia. Avaliamos que o Banco Central e demais órgãos reguladores fazem um trabalho muito competente no sentido de gerar equilíbrio regulatório entre os diferentes players do mercado financeiro, assegurando a competitividade e consequente benefício aos consumidores.

Cartões para a Alta Renda

Felipe Sessin: Inicialmente, vale destacar o papel estratégico dos cartões alta renda como produtos fidelizadores de relacionamento. Mais do que um meio de pagamento, eles funcionam como porta de entrada para ecossistemas financeiros mais amplos. Além disso, apesar de o público alta renda trazer custos maiores com benefícios (como salas VIP, programas de pontos e cashback), também concentram gastos mais elevados, mantêm investimentos e contratam produtos adicionais (como seguros, crédito).

Olhando para o futuro, a tendência não parece ser de desaceleração, mas sim de evolução e maior segmentação. O crescimento em volume de novos cartões super affluents pode se estabilizar, mas deve haver intensificação na personalização: benefícios mais flexíveis, experiências sob demanda, integração com o momento de vida dos portadores e maior uso de dados para ofertar vantagens relevantes para cada perfil. Ao mesmo tempo, é provável um ajuste que permita a entrega de benefícios, baseada na reciprocidade do portador, de modo a garantir que os benefícios sejam disponibilizados na proporcionalidade da rentabilidade com que cada um contribui.

Nossa expectativa é que o movimento deve continuar, mas menos baseado somente em benefícios padronizados e mais em valor percebido, exclusividade real e eficiência econômica — tanto para os usuários quanto para as instituições.

Inteligência Artificial

Felipe Sessin: No que tange Meios de Pagamento, temos visto a aplicação de IA muito voltada para melhorias operacionais de processos de backoffice, prevenção a fraudes e um pouco em modelos preditivos. Existem oportunidades relevantes para ampliar o impacto estratégico da IA além da eficiência interna, onde podemos destacar:

  • Personalização avançada de jornadas de produto e ofertas: recomendações no momento da compra, precificação dinâmica, curadoria automática de benefícios, ofertas imediatas e inteligentes para estabelecimentos.
  • Gestão de riscos em tempo real (além das práticas já consolidadas): apesar dos avanços em churn e inadimplência, ainda há espaço para evoluir para decisão de crédito transacional; intervenções automáticas e personalizadas baseadas em risco; monitoramento preditivo de riscos operacionais e regulatórios.
  • Operação de pagamentos mais inteligente e autoadaptável: aplicação de IA em regras de negócio para maximizar aprovações; previsão de picos com ajuste automático de capacidade; detecção e correção proativa de falhas (AIOps); pagamentos através de agente autônomos.
  • Atendimento com agentes realmente autônomos: assistentes multimodais com resolução fim a fim; antecipação de problemas antes do contato do cliente; explicações personalizadas sobre limites, transações e recusas.
  • Maior inteligência para estabelecimentos: previsões de vendas e fluxo de caixa; insights sobre mix, perfil regional e comportamento de consumo; recomendações automáticas de campanhas; sugestões ótimas de antecipação de recebíveis.
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