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A evolução regulatória, com iniciativas voltadas à modernização do sistema de pagamentos e ao fortalecimento da segurança digital, elevou o nível de competição e exigiu uma maior sofisticação tecnológica dos bancos - tradicionais ou não.

Carlos Mauad

CEO do PagBank

Fatos Relevantes de 2025

O ano foi marcado por avanços relevantes, sendo um deles a consolidação dos pagamentos instantâneos, especialmente o Pix, que ampliou o seu uso em diferentes contextos de consumo, tanto no ambiente físico quanto no digital. O PagBank é um dos grandes responsáveis pelas transações Pix no país, sendo que em torno de 10% delas são feitas pelos nossos clientes.

Outro destaque foi a evolução regulatória, com iniciativas voltadas à modernização do sistema de pagamentos e ao fortalecimento da segurança digital, o que elevou o nível de competição e exigiu uma maior sofisticação tecnológica dos bancos, tradicionais ou não.

Por fim, o Open Finance também ganhou tração prática ao longo do ano, deixando de ser apenas uma infraestrutura regulatória para se tornar um instrumento efetivo de personalização de ofertas, integração de serviços financeiros e melhoria da experiência do cliente, reforçando o papel do Brasil como uma das referências globais nesse tema.

O PagBank em 2025/26

O ano de 2025 foi marcado pela execução consistente da nossa estratégia de consolidar o PagBank como um banco digital completo. Mesmo em um cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados e maior seletividade de crédito, entregamos crescimento sólido em receita e lucro recorrente.

Ampliamos a diversificação das receitas, fortalecendo nossas soluções de meios de pagamento e de serviços financeiros. Expandimos nossa carteira de crédito e aumentamos consideravelmente nossa base de clientes, sempre com foco em eficiência operacional e na experiência do cliente.

Para 2026, temos como expectativa intensificar os nossos investimentos em tecnologia, inovação em soluções que ampliem a geração de valor para nossos clientes, mantendo disciplina financeira e foco em rentabilidade sustentável.

Assimetria Regulatória

Houve, sim, uma aproximação importante nos últimos anos, mas persistem diferenças relevantes em exigências de capital, obrigações regulatórias e carga tributária, que impactam, diretamente, os modelos de negócio. Para garantir uma concorrência mais equilibrada, é importante avançar em ajustes que tragam proporcionalidade ao risco, neutralidade tributária e regras claras que incentivem a inovação, mas sem comprometer a estabilidade e a proteção ao consumidor.

Cartões para a Alta Renda

Este crescimento está diretamente relacionado à busca das instituições por maior engajamento e fidelização dos clientes. Como nosso principal público é o empreendedor, temos direcionado nossos esforços para fortalecer a plataforma PagBank e simplificar a gestão da vida financeira em uma única interface. Para isso, utilizamos inteligência artificial e Open Finance, oferecendo uma experiência cada vez mais completa, integrada e personalizada, que apoia o empreendedor na tomada de decisões no crescimento sustentável do seu negócio.

Ou seja, acredito que a busca pelo engajamento continuará, porém, evoluindo para um modelo mais personalizado, focado na entrega de valor percebido, em vez de apenas ampliar vantagens genéricas.

Inteligência Artificial

A inteligência artificial já vem sendo amplamente utilizada para ganhos de eficiência operacional, automação de processos, atendimento e prevenção a fraudes, por exemplo. Contudo, ainda há um potencial significativo para avançar em áreas como personalização financeira em escala, recomendação proativa de produtos e serviços, modelagem de crédito em tempo real e antecipação de necessidades ao longo da jornada do cliente. À medida que a tecnologia amadurece e o uso de dados se torna mais sofisticado, a IA tende a se consolidar como um diferencial competitivo central.

Cartões de Benefícios

A principal distorção regulatória está nas formas de captação de recursos: os bancos podem captar depósitos à vista (conta corrente), depósitos de poupança e a prazo (CDB, LCI, LCA etc.), além de emitir letras financeiras. Já as fintechs, como as Instituições de Pagamento (caso do PagBank), não têm essas possibilidades.

Como as atividades não são as mesmas, a tributação sempre foi diferente, visando, de algum modo, preservar a isonomia. No entanto, em 26 de dezembro do ano passado foi publicada a Lei Complementar nº 224/25, que aumentou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das Instituições de Pagamento: de 9% para 12% nos anos de 2026 e 2027, e para 15% a partir de 2028 — um aumento de 67%.

Como amplamente divulgado, as fintechs trouxeram competição a um mercado extremamente concentrado, incluíram quem os bancos historicamente excluíram e contribuíram para a redução das taxas de juros no país. Dessa forma, esse aumento representa um retrocesso e vai na contramão do que o Brasil precisa, impactando diretamente a base de clientes das fintechs — em sua maioria composta por brasileiros de baixa renda.

Open Finance

O Open Finance é o instrumento central para a conquista da principalidade e do engajamento dos clientes, porque permite integrar dados, produtos e serviços de uma forma muito mais inteligente e personalizada. Com o consentimento do cliente, é possível entender melhor o seu comportamento financeiro, antecipar necessidades e oferecer soluções mais aderentes ao seu momento de vida, o que fortalece o relacionamento e aumenta a recorrência de uso.

O Brasil já construiu uma infraestrutura robusta e é referência global no tema, no entanto, ainda temos um longo caminho pela frente. É inegável que o uso pleno do Open Finance deve acontecer de forma gradual e a médio prazo, à medida que novas aplicações se consolidem e o cliente perceba, de forma clara, o valor dessa integração no seu dia a dia financeiro.

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