Bruno Henriques
CEO de iFood Pago e COO iFood
Fatos Relevantes de 2025
- Avanço do Pix como infraestrutura central de pagamentos, com expansão de casos de uso, maior adoção no varejo físico e início de discussões mais estruturadas sobre monetização e novos serviços associados.
- BNPL (Buy Now, Pay Later): O BNPL passou de opção adicional no checkout a ferramenta de inclusão financeira e variação do ticket médio. Em 2025, o modelo se estabeleceu como alternativa para consumidores sem acesso ao crédito. O sistema utiliza dados do Open Finance para realizar a análise de crédito no momento da compra, processando o histórico bancário do usuário para liberar o parcelamento sem o uso de cartões físicos ou limites de crédito prévios.
- Uso de IA em finanças: A inteligência artificial em finanças opera como uma camada de gestão estratégica que automatiza processos e personaliza o atendimento ao usuário final. Em 2025, a tecnologia auxiliou a criar modelos de crédito dinâmicos e assistentes que antecipam vencimentos e sugerem investimentos de forma proativa. Além da eficiência operacional no processamento de pagamentos, o sistema executa a conciliação de fluxos de caixa e a análise de conformidade regulatória sem intervenção manual constante, permitindo que as instituições ofereçam soluções ajustadas ao perfil dos clientes e aos seus objetivos, em tempo real.
O iFood Pago em 2025/26
Em 2025, o iFood Pago se consolidou, fortaleceu o ecossistema iFood como um todo, e redefiniu a inclusão financeira digital no segmento brasileiro de alimentação. Avançamos na integração entre pagamentos, crédito e gestão financeira, ampliando a oferta de soluções financeiras para pequenos e médios negócios, como o Cartão iFood Pago e o agente financeiro de IA. O iFood Pago registrou crescimento expressivo em suas soluções de conta digital, ultrapassando o marco de 205 mil no total e concedeu R$2,83 bilhões em crédito. Desta forma, contribuímos para o avanço da inclusão financeira digital e o acesso responsável ao crédito neste setor.
Um destaque importante do ano foi a expansão das soluções que passaram a desempenhar um papel relevante tanto na experiência do consumidor final quanto no apoio ao fluxo de caixa dos parceiros, que são o crédito pessoa física e o parcelado, sendo que a segunda delas permite aos consumidores dividirem suas compras no cartão de crédito em mercados, farmácias e restaurantes, tendo registrado um total de 500 mil pedidos no iFood, em menos de dois meses. Essas soluções impulsionaram um aumento significativo na conversão de vendas e na retenção de parceiros, sempre com foco em uso responsável, transparência, segurança e aderência às melhores práticas regulatórias.
O ano também foi marcado por ganhos de escala, evolução da infraestrutura e amadurecimento dos modelos de risco e de crédito, em um contexto de maior disciplina financeira no setor. A atuação integrada dentro de um ecossistema digital reforçou a atenção à conformidade regulatória, à segurança das operações e à governança no uso de tecnologias digitais, permitindo entregar soluções mais sólidas e alinhadas às necessidades reais dos empreendedores.
Para 2026, a expectativa é aprofundar o modelo de ecossistema, alinhando-se às tendências de Open Finance e inteligência artificial, com foco em ampliar parcerias e soluções que promovam decisões financeiras mais conscientes
e equilibradas.
Assimetria Regulatória
Embora existam diferenças estruturais entre instituições tradicionais e plataformas digitais, o ecossistema caminha para um amadurecimento onde as regras acompanham a complexidade das operações.
O equilíbrio do setor passa pela proporcionalidade regulatória, baseada na operação, no porte e na complexidade dos sistemas. Ajustes graduais de obrigações tendem a fortalecer o ecossistema como um todo, estimulando inovação com segurança. Percebemos a agenda regulatória evoluindo cada vez mais nesta abordagem baseada em tamanho de risco, independente da estrutura e acredito que a sustentabilidade do negócio está intimamente ligada à esta evolução.
Cartões para a Alta Renda
O recente crescimento de lançamentos de cartões para públicos específicos reflete a evolução da segmentação de dados, onde as instituições substituem ofertas genéricas por produtos que maximizam o engajamento.
A tendência futura é a intensificação da especialização, movendo o mercado para segmentos específicos, como o do empreendedor. Neste sentido, o Cartão iFood Pago auxilia diretamente no fôlego financeiro e na operação diária de milhares de restaurantes brasileiros. A solução tem contribuído para o acesso de micro e pequenos empreendedores ao crédito e ampliado a inclusão financeira digital.
Inteligência Artificial
Embora a inteligência artificial já seja amplamente utilizada no setor para ganhos de eficiência operacional, como atendimento, prevenção a fraudes e automação de processos, ainda há grande espaço para avanço em frentes estratégicas. Entre elas estão a personalização mais profunda, com decisões dinâmicas e contextuais; e a evolução da experiência do usuário, com jornadas mais adaptativas ao longo de todo o ciclo de relacionamento.
No contexto de ecossistemas digitais, como o do iFood Pago, a IA começa a ser aplicada para apoiar decisões financeiras dos empreendedores, como orientação sobre fluxo de caixa, acesso mais adequado ao crédito e recomendações personalizadas de soluções financeiras ao longo da jornada do negócio. Também há avanços no uso da tecnologia para melhorar a oferta de produtos como crédito e parcelamento, sempre com foco em uso ético, seguro e em conformidade com a regulamentação.
O grande desafio para o setor não é tecnológico, mas cultural e de governança: integrar dados de diferentes fontes, garantir qualidade da informação e escalar o uso da IA de forma responsável, transparente e segura. À medida que essas bases se fortalecem, a IA tende a deixar de ser apenas uma ferramenta de eficiência para se tornar um vetor real de geração de valor para empresas e clientes.
Cartões de Benefícios
A atualização [nov/2025] do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) representa um avanço importante para o setor de benefícios. As novas regras trazem mais transparência, competitividade e, sobretudo, flexibilidade, valores que estão no centro da atuação do iFood Benefícios.
Para o trabalhador: Com a interoperabilidade entre bandeiras e o estímulo à livre escolha, o colaborador passa a ter mais autonomia para usar seu benefício onde e como quiser, dentro das regras do programa.
Para o varejista: A mudança também traz ganhos concretos para o varejo, que terá redução no custo das transações e irá ampliar as formas de recebimento de pagamentos nos estabelecimentos.
Para as áreas de gestão de pessoas: amplia o volume de transações e o acesso de pequenos e médios estabelecimentos ao vale-refeição, ao mesmo tempo em que simplifica a gestão para as empresas, que passam a contar com soluções mais digitais, integradas e alinhadas às necessidades dos seus times. Essa evolução reforça a importância de modelos que unem tecnologia, liberdade e conveniência, ampliando o poder de escolha das pessoas e fortalecendo todo o ecossistema alimentar.
Open Finance
O Open Finance é um instrumento central para aumentar principalidade e engajamento, pois permite compreender o cliente de forma mais completa, oferecer soluções mais relevantes e integrar serviços financeiros de maneira fluida. Quem conseguir traduzir dados em valor percebido pelo cliente tende a se destacar.
Hoje, o uso do potencial do Open Finance pelo mercado ainda está em estágio médio. Já avançamos na infraestrutura e na regulação, mas ainda é preciso criar propostas de valor claras para o consumidor final. O uso mais pleno deve acontecer nos próximos anos, à medida que casos de uso se consolidarem, a educação do consumidor avance e os benefícios fiquem mais tangíveis.