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Atividades equivalentes devem seguir regras equivalentes, para que a disputa no sistema financeiro seja por eficiência, qualidade e inovação — e não por assimetrias.

Rubens Fogli

Diretor de Cartões, Contas e Pagamentos

Fatos Relevantes de 2025

O ano de 2025 foi marcado por avanços estruturais nos meios eletrônicos de pagamento. O Pix seguiu como principal motor do mercado, com a expansão de funcionalidades como Pix por Aproximação, Pix Automático, pagamento de boletos e início dos testes para ampliação em outras frentes, fortalecendo conveniência, interoperabilidade e inclusão financeira.

Outro destaque são os pagamentos por aproximação e as carteiras digitais, que se consolidaram de vez, e ocupam cerca de 70% das compras presenciais com cartões, impulsionando jornadas mais rápidas e invisíveis. O modelo “Buy Now, Pay Later” também ganhou tração, reforçando a adoção de formatos de crédito mais flexíveis e integrados ao checkout digital.

O Itaú Unibanco em 2025/26

O ano de 2025 consolidou nosso avanço em meios eletrônicos de pagamento, tanto no Pix quanto nos cartões. Segundo o Banco Central, o Pix alcançou 22% do volume financeiro transacionado e 45% do total de transações, mantendo trajetória de forte expansão no país. Evoluímos com funcionalidades como Pix por Aproximação, parcelado e integração ao WhatsApp, ampliando conveniência e engajamento. Em paralelo, cartões seguiram com desempenho robusto, mantendo nossa posição como maior emissor do país e atingindo boas taxas de aprovação no crédito e no débito, além de reduzir chargebacks e fortalecer mecanismos antifraude. A Rede também se manteve na liderança do mercado de adquirência brasileiro, avançando em soluções de e-commerce, antecipação e DCC. Em 2025, a operação superou R$ 1 trilhão em volume transacionado no ano, refletindo a integração com o ecossistema Itaú e a adoção crescente de meios digitais.

Para 2026, esperamos aprofundar a digitalização dos pagamentos com a consolidação do Pix Automático e maior relevância das transações de crédito e débito online. Também aceleraremos a aplicação de dados e Inteligência Artificial — com modelos preditivos, sistemas antifraude aprimorados, automação inteligente e assistentes generativos — para entregar jornadas mais fluidas, seguras e personalizadas. Essa combinação de tecnologia, eficiência e segurança seguirá impulsionando competitividade e valor em todo o ecossistema de pagamentos.

Assimetria Regulatória

A concorrência no sistema financeiro é positiva e acelera a inovação e melhoria da experiência do cliente. O ponto central é garantir que essa competição aconteça com bases equilibradas. Atividades equivalentes devem seguir regras equivalentes, para que a disputa seja por eficiência, qualidade e inovação — e não por assimetrias.

O Brasil avançou ao permitir diferentes modelos de negócio, mas é preciso que a regulação acompanhe o risco e a escala das operações à medida que os serviços se tornam comparáveis. Isso reforça governança, transparência e proteção ao consumidor, preservando o espaço para inovação.

No campo tributário, o debate precisa olhar para a carga efetiva, com critérios claros e isonômicos por produto e risco. Mais equilíbrio traz melhor precificação, incentiva eficiência e beneficia o cliente, sem personalizar a discussão.

Cartões para a Alta Renda

Nos últimos dois anos, esse movimento foi viabilizado por margens elevadas nas operações de crédito, parcerias estratégicas com programas de milhas e empresas de lifestyle, além da forte competição entre emissores. Dados da Abecs mostram que, entre janeiro e setembro de 2025, os cartões de crédito movimentaram R$ 2,3 trilhões, um crescimento de 14,8% em relação ao ano anterior, com tíquete médio significativamente maior entre clientes de alta renda. Essa faixa da população, que representa cerca de 1,8% dos brasileiros, concentra grande parte do consumo em viagens internacionais, gastronomia e bens de luxo, justificando a aposta das instituições em produtos premium.

Os benefícios oferecidos por esses cartões são expressivos: acesso ilimitado a lounges globais via programas como Priority Pass, Dragon Pass e LoungeKey, concierge 24 horas, upgrades em hotéis e companhias aéreas, além de pontuação turbinada — chegando a 5 a 7 pontos por dólar gasto em compras internacionais em alguns produtos super premium. Em contrapartida, as anuidades podem ultrapassar R$ 20 mil por ano, evidenciando o custo elevado para manter essa estrutura de benefícios.

No entanto, olhando para frente, a tendência é de desaceleração desse movimento. O modelo atual não é sustentável a longo prazo: os custos para manter benefícios premium pressionam a rentabilidade, especialmente em um cenário de juros elevados, maior regulação e busca por eficiência operacional. Além disso, a saturação do segmento e a migração para experiências digitais mais acessíveis indicam que o mercado deve priorizar produtos com equilíbrio entre benefícios e viabilidade econômica. A expectativa é que as instituições financeiras passem a racionalizar benefícios, focando em diferenciação por serviços digitais, personalização e integração com ecossistemas, em vez de ampliar agressivamente vantagens exclusivas. Em resumo, o ciclo de expansão acelerada tende a dar lugar a um movimento mais seletivo e sustentável, com foco em valor percebido e eficiência.

Inteligência Artificial

A inteligência artificial já é vista como um vetor central de competição nos meios eletrônicos de pagamento, mas ainda é usada majoritariamente para eficiência interna, como automação e antifraude. Há espaço relevante para avançar em frentes mais estratégicas, e acredito que o setor já esteja começando a caminhar nesta direção. Uma delas é a personalização da experiência, com uso de IA para recomendar, em tempo real, o meio de pagamento, parcelamento ou limite mais adequado ao contexto do cliente. Esse, sem dúvida, será um diferencial competitivo para as instituições que conseguirem avançar de forma mais relevante ao longo de 2026.

Outro campo que ainda pode ser melhor explorado é a precificação e gestão dinâmica de benefícios, hoje baseada em regras fixas, mas que poderia evoluir para modelos ajustados por perfil, comportamento e rentabilidade. Na prevenção a fraudes, a oportunidade está na transição de regras estáticas para modelos adaptativos, capazes de antecipar riscos com menor fricção.

Mais especificamente no contexto da IA generativa, entre os casos de uso para clientes que parte do mercado já começa a explorar, o maior foco são aqueles transacionais, por exemplo, no uso de agentes conversacionais para transações via Pix por WhatsApp. Entendo que um próximo passo, para além de ampliar a capilaridade desse tipo de solução, seja evoluirmos no uso dessa tecnologia com um viés mais consultivo, ajudando os clientes a tomarem melhores decisões financeiras em cada jornada de pagamento.

No fim do dia, esses usos permitem que a IA deixe de ser apenas uma ferramenta operacional e passe a atuar como motor de diferenciação e valor para clientes e para o ecossistema de pagamentos.

Cartões de Benefícios

As mudanças trazidas por esse decreto podem ser entendidas como um processo de modernização do modelo de funcionamento do setor de benefícios. As novas regras buscam ampliar a eficiência desse ecossistema, com impactos positivos para credenciadoras, empresas contratantes e usuários finais, ao ampliar a aceitação e a previsibilidade das operações. No conjunto, o decreto contribui para um ambiente mais organizado, competitivo e alinhado às dinâmicas atuais dos meios eletrônicos de pagamento.

Open Finance

O Open Finance pode apoiar a conquista de principalidade e engajamento ao permitir ofertas mais personalizadas e jornadas financeiras mais simples, como agregação de contas e portabilidade digital, tornando o relacionamento mais relevante no dia a dia do cliente.

Apesar do potencial, o uso ainda é parcial. Hoje, o mercado explora o Open Finance de forma básica, principalmente para compartilhamento de dados e algumas ofertas de crédito, o que coloca o estágio atual em torno de 5 numa escala de 0 a 10.

O uso mais amplo e maduro do sistema deve acontecer em um horizonte de 24 a 36 meses, à medida que evoluam a adoção pelos clientes, a estabilidade das integrações e a capacidade das instituições de transformar dados em experiências mais integradas e recorrentes.

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