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Acesso a Clientes

O fortalecimento da segurança do Pix, com novas camadas de proteção, autenticação reforçada e monitoramento em tempo real, foi um dos principais marcos do mercado em 2025.

Ricardo Daguani

General Manager

Fatos Relevantes de 2025

Sem dúvida, o destaque foi o fortalecimento da segurança do Pix. O Banco Central implementou novas camadas de proteção contra fraudes, autenticação reforçada, monitoramento em tempo real e criou regras mais rígidas para a abertura de novas contas, ajudando a reduzir o número de transações suspeitas. Veremos o Pix sendo cada vez mais utilizado, confiável e trazendo novos serviços que facilitem a vida do cidadão.

Outro fato importante envolveu o anúncio global da Visa e Mastercard, nossas parceiras, sobre o comércio agêntico. O uso da IA não apenas facilitará e personalizará o processo de compra, como auxiliará na criação de ambientes de pagamento cada vez mais seguros, e estamos ao lado deles para garantir a escala mundial e a rápida evolução dessas soluções. Esse movimento transforma a forma como lidamos com o dinheiro e tende a fortalecer o varejo com melhores experiências ao consumidor.

O terceiro evento relevante foi a regulação pelo Bacen sobre criptoativos. A normativa estende às instituições que atuam com stablecoins e blockchains os requisitos necessários de governança e segurança e rege também a proteção e transparência nas relações com os clientes, entre outras responsabilidades. Está claro que estamos saindo da teoria para a prática no chamado futuro do dinheiro. Com isso, acredito que o país, quinta maior economia cripto do mundo e a maior da América Latina, tem capacidade para se tornar a maior potência mundial no tema. Está em nosso DNA liderar as transformações financeiras e, desta vez, não será diferente.

A Fiserv em 2025/26

Dentro da estratégia global de crescimento orgânico, aquisições e parcerias estratégicas, em 2025 ampliamos a nossa participação de mercado no Brasil, com atuação fortalecida em diversas áreas de negócios.

Expandimos nacionalmente a Clover, plataforma que integra meios de pagamento e gestão de negócios – incluindo hardware, software e aplicações – para acelerar a transformação digital e o crescimento sustentável do varejo; aprimoramos o nosso papel como hub de Pix, aportando novos recursos de segurança e produtos em nossa solução; ingressamos no mercado de capital de giro para pequenas e médias empresas; e lançamos o Vision Next, plataforma global de emissão e processamento de cartões em nuvem, altamente personalizável, que entrega agilidade, eficiência e escalabilidade para emissores, instituições financeiras e plataformas de embedded finance. Também ampliamos consideravelmente nossa oferta de adquirência, alcançando novas audiências, e levamos a parceria com a CAIXA a novos segmentos.

Clover foi um grande destaque em 2025, com lançamento comercial no primeiro trimestre e logo partindo para a expansão. Em novembro, lançamos o terminal de autoatendimento Clover Kiosk, simplificando as operações e melhorando a experiência do cliente, além da primeira franquia de rua da Loja Clover em Guarapari (ES), novo modelo de comercialização que une consultoria, experimentação e oferta de crédito no qual potenciais clientes podem conferir na prática os atributos da Clover que melhor impulsionem seu negócio. Inovamos também no atendimento ao cliente, adicionando ao amplo portfólio (telefone, WhatsApp, e-mail, mensagem) o suporte remoto por vídeo, inspirado na telemedicina – uma experiência omnichannel inédita. Sicredi e CAIXA fortaleceram suas ofertas de adquirência em parceria com a Clover nas mais diversas regiões do país, sempre com excelente recepção por parte do público.

A aquisição da Money Money, em junho, marcou nossa estreia no mercado de capital de giro para apoiar os pequenos e médios negócios com as ofertas integradas de crédito da Clover Capital às nossas operações de Fiserv e alianças.

A parceria com a CAIXA tem sido essencial para darmos escala aos negócios com acesso a soluções inovadoras e fortalecer a rede de adquirência com a azulzinha. Entre os avanços, destacamos o portal azulzinha Pay, que permite o pagamento de débitos veiculares e multas em até 12 vezes. Atuamos de forma relevante na COP30, apoiando a CAIXA na compensação das emissões de carbono do evento com a Clover Kiosk. Essas ações reforçam nosso compromisso conjunto com inovação, inclusão e responsabilidade ambiental, sempre gerando valor para clientes e a sociedade.

Em adquirência, desenvolvemos operações personalizadas para grandes marcas – como Claro, PayPal, Coruja Capital, Afinz e BanQi – dentro de nossa nova oferta de acquiring as a service (AQaaS) para alianças, parceiros, subadquirentes e qualquer empresa interessada em oferecer pagamentos. Fornecemos toda a infraestrutura (captura, processamento, roteamento, liquidação, prevenção a fraudes, gestão de risco, conciliação, onboarding e compliance), permitindo que as empresas operem sem precisar construir a operação do zero. Tudo isso agregado à oferta completa da Clover, que segue nosso foco em 2026. Trazer a Clover ao Brasil foi um dos maiores investimentos já realizados pela Fiserv, com grande potencial em transformar a forma como o varejo opera e prospera no país.

Em 2026, vamos seguir centrados nas necessidades dos clientes, investindo em soluções, pessoas, processos e infraestrutura para suportar seu crescimento, e trazer ainda muitas conversas sobre stablecoins e varejo agêntico. Obviamente, investindo cada vez mais na estabilidade das nossas soluções e na robustez da nossa infraestrutura, para seguir garantindo alta performance e alta disponibilidade dos meios de pagamento mesmo durante os momentos de picos de consumo, como o Natal e a Black Friday, e continuar contando com a confiança dos nossos clientes para trazer resultados excepcionais. Em um mercado cada vez mais dinâmico, reforçamos nosso compromisso em liderar as mudanças. Inclusive, fomos reconhecidos pela TIME como uma das 100 empresas mais influentes de 2025 e, no Brasil, com o selo Great Place To Work® — conquistas que refletem nossa liderança em inovação e eficiência.

Assimetria Regulatória

O amadurecimento do mercado é um processo natural, motivado pelo livre mercado e pelas novas tecnologias. O Banco Central se mostra atento e vem ajustando normas para reduzir a assimetria regulatória, ao mesmo tempo em que busca garantir espaço para a inovação. Acompanhamos discussões sobre tributação e modelos de supervisão que buscam maior uniformidade e transparência, bem como a criação de ambientes mais seguros e menos propensos a fraudes financeiras. Além disso, o setor trabalha em práticas de autorregulação e em projetos colaborativos que fortalecem a confiança e a segurança do sistema.

O fato é que estamos apenas no início de um processo profundo de transformação do sistema financeiro, e um ponto importante a ser levado em consideração é que, além da viabilidade constante da inovação – e o Brasil sempre foi muito forte nesta agenda –, a chegada das fintechs aumentou a competitividade do setor, permitindo o acesso de milhões de brasileiros a contas bancárias e meios de pagamento. O que esperamos é que esse ponto de equilíbrio siga permitindo ampliar os serviços e soluções e assegure estabilidade e condições de concorrência mais próximas entre todos os participantes do setor.

Cartões para a Alta Renda

Esta resposta tem muito a ver com o que falamos na pergunta anterior, sobre instrumentos de competitividade e diferenciação – e, assim como outros setores da economia, também as instituições financeiras têm se valido de parcerias, inteligência de dados e novas tecnologias para viabilizar a oferta de cartões para a alta renda. Números indicam que um brasileiro de alta renda possui, em média, de três a cinco cartões de crédito, todos atrelados a vantagens – e utilizam essa multiplicidade como uma ferramenta estratégica de gestão de benefícios, seguros e milhagens.

A tendência é de continuidade e intensificação desse movimento, com foco em experiências exclusivas, tecnologia e sustentabilidade. O mercado de alta renda deve seguir em expansão, com mais opções de cartões premium e benefícios cada vez mais personalizados, fundeados não apenas nas parcerias e margens diferenciadas obtidas sobre o consumo desse segmento, mas também na IA. É essa uma das vertentes que estamos oferecendo com a nossa plataforma Vision Next, com o intuito de oferecer a possibilidade de que mais ofertas como essas continuem sendo viáveis.

Os programas de recompensas também tendem a acompanhar essa evolução para modelos mais inteligentes, integrando pontos, cashback e milhas em sistemas que ajustam as ofertas ao perfil de consumo de cada cliente.Outro fator que considero importante é a incorporação de práticas de sustentabilidade e inclusão, alinhadas à agenda ESG, como compensação de carbono em viagens e apoio a causas sociais. Paralelamente, a concorrência saudável entre bancos tradicionais e fintechs se intensifica, o que deve manter o ritmo acelerado de inovação nesse segmento.

Inteligência Artificial

Estamos apenas no início de um amplo e complexo processo de transformação, impulsionado pela Inteligência Artificial. Ainda há muito espaço para que a IA se torne um diferencial competitivo no setor de meios eletrônicos de pagamento.

Além das aplicações já conhecidas, como personalização em tempo real da experiência do cliente, gestão preditiva de risco e crédito, prevenção proativa de fraudes e soluções que envolvem recomendações inteligentes e benefícios no momento da compra, novas oportunidades começam a se destacar.

Entre elas, destaco os pagamentos agênticos como próxima fronteira: transações realizadas de forma autônoma pela IA, capazes de otimizar benefícios, escolher a melhor forma de pagamento e antecipar necessidades do cliente. Em termos práticos, é um assistente digital que entende preferências, sugere compras e realiza pagamentos de forma segura e personalizada. No B2B, por exemplo, uma pequena empresa poderá usar um agente de IA para buscar fornecedores, negociar prazos e concluir pagamentos com um cartão corporativo virtual — tudo de forma integrada, sem planilhas, e-mails ou formulários.

Essa tecnologia começa a ganhar força agora em 2026, e a Fiserv trabalha em colaboração com a Visa e a Mastercard para acelerar a implantação do varejo agêntico globalmente, com uso de protocolos de confiança, tokenização e autenticação forte. Essa infraestrutura permitirá experiências de pagamento mais rápidas, inteligentes e programáveis, ampliando receitas e reduzindo atritos.

Concluindo, a IA já faz parte da operação diária de muitas empresas ao redor do mundo, incluindo a Fiserv, com aplicação direta na gestão de riscos, na prevenção a fraudes ou como ferramenta fundamental para aprimorar o atendimento ao cliente, por exemplo. Google e Microsoft são duas gigantes direcionando seus esforços cada vez mais para o ambiente corporativo, para além do usuário final – nós mesmos acabamos de nos unir à Microsoft para ampliar o uso da IA por toda a nossa força de trabalho globalmente e como apoio em nossas plataformas de desenvolvimento de soluções. São as duas grandes tendências que começam a sair do papel definitivamente e evoluir em 2026.

Cartões de Benefícios

Sempre que impulsionamos a inovação e a concorrência, todos ganham, especialmente, o consumidor. A ideia é que o trilho de voucher tenha os mesmos benefícios que o trilho de transações financeiras eletrônicas – principalmente, a interoperabilidade, permitindo que os estabelecimentos passem a aceitar qualquer bandeira ou marca de voucher. Vale ressaltar que todo nosso parque instalado de adquirência em território brasileiro já está preparado para atender os usuários de benefícios conforme demanda a nova regulamentação.

Open Finance

O Open Finance é uma das mais relevantes inovações do Banco Central e representa uma grande oportunidade para que bancos, fintechs e empresas de serviços financeiros conquistem a principalidade e o engajamento dos seus clientes, abrindo espaço para ofertas mais personalizadas e competitivas, novas oportunidades de crédito, jornadas digitais mais fluidas e inclusão de novos públicos. Também fomenta a inovação do setor: quanto mais capaz de transformar dados em inteligência e experiências e serviços relevantes, mais uma instituição terá condições de se tornar a parceira do cliente.

Falando dos clientes corporativos, quando pensamos no Open Finance relacionado à nossa proposta agnóstica, acreditamos em seu potencial para trazer ainda mais opções e liberdade de escolha, permitindo que eles possam definir suas próprias regras sobre com quais instituições trabalhar, em quais momentos de negócio. É uma ferramenta importante para ajudar na eficiência e no equilíbrio financeiro, ajudando os empresários e empreendedores a serem mais competitivos e na evolução de suas operações.

É importante ressaltar que o Brasil já é referência global, com mais de 128 milhões de consentimentos ativos e casos concretos como Pix automático, jornada sem redirecionamento e portabilidade de crédito em fase piloto. Esse pragmatismo nos coloca à frente de muitos mercados onde ele ainda é tratado apenas como conceito.

Ainda precisamos avançar entre os consumidores finais e os micros e pequenos negócios, principalmente na percepção desse público sobre o valor agregado que o Open Finance traz – o que ainda gera dúvidas ou receios entre os usuários. Por essa razão, eu diria que, hoje, de 0 a 10, estamos em algo como 6 ou 7. O país seguirá evoluindo nos próximos três ou quatro anos até alcançarmos o momento em que o Open Finance se tornará parte da cultura financeira dos brasileiros, embarcado nas jornadas digitais, gerando conveniência, confiança e fidelização.

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