Sorocred muda modelo de negócio e passa a se chamar Afinz

O jogo mudou no mercado de meios eletrônicos de pagamentos e para ganhar fôlego nessa disputa, a financeira Sorocred se reinventou. A transformação foi completa: mudou o nome, o posicionamento e a forma de fazer negócios. Agora, a empresa se chama Afinz, é uma fintech, opera não só com cartão de crédito, mas também com financiamento, antecipação de recebíveis, seguros, oferta de marketplace, além de outros produtos e serviços que estão por vir.

A Afinz também atuará como participante direto do PIX e como adquirente no comércio físico e eletrônico – os clientes poderão ter a maquininha da Afinz com serviços embarcados. A nova plataforma mira o varejo, microempreendedores e pessoas físicas. O plano é para que a Afinz se torne um banco múltiplo mais adiante.

Outra mudança importante para sair do formato closed-loop e ganhar escala foi a decisão de passar a emitir cartões Visa e não mais com bandeira própria. Com o novo produto nasce o programa de fidelidade Você Bem, plataforma de benefícios gratuita que inclui vantagens adaptadas aos novos tempos: descontos em farmácia, saúde e educação. Parcerias foram firmadas nessas três frentes.

O Você Bem Farmácia conta com uma aliança com o grupo DPSP, varejista de farmácias; o Você Bem Saúde disponibiliza consultas, exames e serviços odontológicos com preços acessíveis na rede Tem; já no Você Bem Educação, os clientes terão acesso a cursos livres e até 80% de desconto em uma plataforma online com o Instituto iNove. Além disso, os portadores estão aptos a participarem do Vai de Visa. Liderando esse processo está Claudio Yamaguti, veterano da indústria que deixou cadeira no conselho da empresa para assumir a presidência da Afinz. A jornada no cargo começou há um ano. O executivo conversou com a CardMonitor sobre a nova Afinz:

O start para a mudança – “A Sorocred, no modelo anterior, trabalhava com um monoproduto, em um modelo fechado, com tecnologia própria. Nos últimos 10 anos, houve uma evolução muito rápida na parte de tecnologia, promovida principalmente pelo pessoal de startups e fintechs, com ideias disruptivas. Desde 2010, o Banco Central está promovendo diversos movimentos, como open banking, pagamento instantâneo, entre outros eventos. Estamos justamente dentro desse raciocínio. E o que o BC está querendo? Baixar preço, bancarizar, tirar o pessoal da economia informal, quer a desconcentração do modelo que existe hoje. O objetivo é a desconcentração aqui também, com a ideia de redução de preço. O conceito que a gente coloca é muito mais de um open banking; estamos abertos a todos com tudo isso que estamos montando aqui”.

Tudo novo – “Sob o ponto de vista de infraestrutura operacional, a mudança será radical. Tudo era feito dentro de casa, tudo era verticalizado. O próprio sistema de emissão de cartão, de adquirência, closed-loop, o sistema fechado. Esse modelo é que resolvemos horizontalizar. Repensando a companhia, até com mudança de marca, a gente chegou a uma nova cultura, novos valores e também a um novo propósito, que é justamente conectar comprador e vendedor e, finalmente, cuidar. Somos uma empresa que não vai ganhar em cima da transação, mesmo porque estamos no varejo, onde o ticket é pequeno. O que vai fazer a perpetuidade da empresa é o lifetime value, ou seja, quanto mais o cliente ficar na nossa base, mais valor dará a companhia. Para isso, aumentamos o leque de produtos. O que nós fizemos aqui foi agregar outros tipos de anzóis para pescar outros tipos de peixes dentro do mesmo lago. O Afinz está aqui, de A a Z, de ponta a ponta, end to end.”

Legado da Sorocred – “O principal legado que a Sorocred deixará para a Afinz será a questão de crédito. A Sorocred concedia crédito para as classes C, D e E e pequenos varejistas quando nenhuma financeira dava. Essa era a dor da lojinha naquela época e ainda é nos dias de hoje, para dizer bem a verdade. Esse foi o início da Sorocred, pela origem dos próprios fundadores: um era varejista e o outro trabalhava em uma financeira. A empresa tem uma tradição de crédito para atender esse pessoal de baixa renda. A maioria deles desbancarizado, sem emprego; mas, com esse nível de tratamento muito próximo. Tanto que a nova marca Afinz tem um Z cortado, que vem de igualdade de tratar. As pessoas do interior dão muito valor a esse tipo de tratamento. Esse é outro legado que vamos preservá-lo e melhorá-lo ainda mais”.

Público-alvo – “Os serviços financeiros da Afinz atendem pessoas físicas e jurídicas, além de micro e pequenos empreendedores, que frequentemente não são servidos adequadamente pelos serviços e produtos bancários tradicionais, sendo alguns até totalmente desbancarizados, ainda que produtivos economicamente. Hoje, cada vez mais, há menos trabalhadores com carteira assinada para dar crédito. Há mais pessoas autônomas e esse é o público que vai crescer ainda mais. Os profissionais CLT vão diminuir”.

Transição de bandeiras – “Dentro desse processo de horizontalização, nós saímos da nossa plataforma, que era própria, desenvolvida dentro de casa. Fizemos essa migração no final de semana do dia 05/09. Pegamos toda a nossa base de cartões Sorocred, passamos para dentro do ambiente da Fidelity, do jeito que ele é, para fazer um upgrade para a Visa. Os novos cartões já nascem Visa.

Os varejistas que emitem cartão são mais de 150. Em 30 anos, já foram emitidos mais de 5 milhões de cartões, dentro dos quais 650 mil são os que consideramos ativos – aqueles com, pelo menos, uma transação nos últimos 12 meses. Os outros cartões que passaram por aqui são merecedores de crédito e serão alvo também para enviarmos um novo cartão da Visa, com novos benefícios, com uma rede de aceitação muito maior do que a da Sorocred, internacional. O cartão vem com chip, contactless. Já estamos saindo com o Programa ‘Você Bem’, que oferece desconto em farmácia, desconto saúde, programa de educação. Dentro desse programa irão entrar outros benefícios. Tudo de graça no primeiro ano. E todo dia aparecem novos clientes dentro dessa nova parceria. Nós somos B2B2C”.

Marketplace Afinz – “A gente agora é uma nova empresa, com negócios diferentes. A gente conserva coisas que fazia, mas coloca aqui uma série de outras coisas, como produtos bancários de uma financeira e não bancários, dentre eles um comércio eletrônico. Uma pequena lojinha, que jamais pensou em ter um comércio eletrônico, sentiu necessidade quando a pandemia chegou. Passa na cabeça da pequena lojinha, do autônomo, do desempregado, ter um comércio eletrônico e a gente tem essa solução para ele. O empreendedor monta sua loja, com a sua cara, com o seu nome e vende produtos. Emitir nota fiscal, recolher impostos, questão da entrega, ele não precisa se preocupar com nada. ‘Ah, mas eu não sei precificar’. O sistema já calcula o preço, a margem mínima para não sair perdendo, quanto ele quer ganhar. Ele simplesmente só tem que vender os seus produtos ou de outros. Na parte da entrega, ou ele tem a própria logística de entrega e o sistema já gera etiquetas, com CEP, endereço ou utiliza o nosso pacote de logística”.

Ainda vale investir em adquirência? – “A gente já era adquirente, mas como extensão do nosso trabalho, vamos ser multi adquirente. Longe aqui querer ficar competindo com outras adquirentes. Nosso papel é de resolver as dores do cliente que está na nossa base. E as dores do cliente, às vezes, por exemplo, pode ser um comércio eletrônico para vender mais e a maquininha está lá dentro. O nosso negócio é de conexão, de conectar parceiros estratégicos que complementam aquelas coisas que, às vezes, nós não somos especialistas. Estamos saindo para o mercado em cima de uma base já pré-existente e, por acaso, irão entrar mais clientes. E isso vai se transformar em um oceano azul pela quantidade de ofertas e produtos que venha a ajudar a solucionar os problemas dos clientes”.