{"id":81260,"date":"2026-09-25T10:55:47","date_gmt":"2026-09-25T13:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/?p=81260"},"modified":"2026-09-25T10:55:47","modified_gmt":"2026-09-25T13:55:47","slug":"como-a-roadcard-virou-o-banco-do-caminhoneiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/cardclipping\/2026\/09\/como-a-roadcard-virou-o-banco-do-caminhoneiro\/","title":{"rendered":"Como a Roadcard virou o banco do caminhoneiro"},"content":{"rendered":"<p>Let&#8217;s Money (Internet), em 24\/09\/2026, por Gabriel Pereira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anna Luiza Miranda, diretora da Roadcard, narra toda a trajet\u00f3ria da empresa. Antigamente, caminhoneiros recebiam adiantamentos por meio de um papel informal que os obrigava a gastar at\u00e9 50% do valor em postos espec\u00edficos. Esse sistema gerava perdas de at\u00e9 15% na renda e impedia a comprova\u00e7\u00e3o financeira para obten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito. A Roadcard surgiu dentro da corretora de seguros Pamcary, alavancada pelo &#8220;Telerisco&#8221;, um cadastro que j\u00e1 reunia mais de um milh\u00e3o de motoristas nos anos 2000.<\/p>\n<p>O Pamcard, um c\u00f3digo de identifica\u00e7\u00e3o nos anos 80, passou a ser vendido como pagamento eletr\u00f4nico de frete a partir de 2003. A empresa avalia que j\u00e1 atende os 30% de clientes que possuem liquidez; o foco agora \u00e9 explorar os 70% restantes que necessitam de prazo. A Roadcard utiliza seu conhecimento exclusivo sobre a entrada exata do dinheiro na conta digital do caminhoneiro para intermediar financiamentos e mitigar riscos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia \u00edntegra abaixo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a Roadcard virou o banco do caminhoneiro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No posto de estrada, o caminhoneiro entregava um papel e ouvia a ordem de abastecer ali mesmo. Entre 40% e 50% do adiantamento do frete tinham que virar diesel no tanque escolhido pela transportadora, e o troco, quando havia, sa\u00eda em dinheiro vivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Era assim que o transporte rodovi\u00e1rio de cargas pagava quem dirigia, e foi contra esse arranjo que a Roadcard passou oito anos vendendo um cart\u00e3o antes de a lei lhe dar raz\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cart\u00e3o j\u00e1 existia e n\u00e3o movimentava um centavo. \u201cO cart\u00e3o Pamcard \u00e9 dos anos 80. [\u2026] Ele era um cart\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o, um c\u00f3digo de identifica\u00e7\u00e3o que cada caminhoneiro tinha\u201d, disse Anna Luiza Miranda, diretora de inova\u00e7\u00e3o e marketing na Roadcard.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em entrevista ao Verticalizando Gigantes, s\u00e9rie do Let\u2019s Money Podcast que \u00e9 um oferecimento do Bradesco, em sua vertical as a service, ela contou como aquele c\u00f3digo virou uma opera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os financeiros embarcados que movimenta, pela conta dela, de R$ 16 bilh\u00f5es a R$ 18 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-81262 size-full\" src=\"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-25-104538.png\" alt=\"\" width=\"697\" height=\"575\" srcset=\"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-25-104538.png 697w, https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-25-104538-320x264.png 320w, https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-25-104538-160x132.png 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 697px) 100vw, 697px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O papel que pagava o frete no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Roadcard nasceu dentro da Pamcary, corretora de seguros de carga que, na descri\u00e7\u00e3o dela, foi empurrada para a inova\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria sinistralidade. Depois da central de opera\u00e7\u00f5es e do gerenciamento de risco, sobrou a vari\u00e1vel que n\u00e3o dava para modelar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO principal fator de risco \u00e9 o caminhoneiro\u201d, afirmou. Dali saiu a Telerisco, um cadastro positivo do motorista que, na virada dos anos 2000, j\u00e1 reunia mais de um milh\u00e3o de caminhoneiros, propriet\u00e1rios e ve\u00edculos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o cadastro na m\u00e3o, o grupo foi atr\u00e1s do gargalo do motorista e chegou \u00e0 carta-frete. \u201c[\u2026] a carta-frete \u00e9 um papel sem valor legal, sem valor fiscal. [\u2026] \u00e9 uma emiss\u00e3o de moeda paralela, venda casada, uma s\u00e9rie de crimes que s\u00f3 para ela existir, ela j\u00e1 comete\u201d, disse. \u201cQue era o meio de pagamento oficial do transporte no Brasil.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mecanismo era caro. A transportadora entregava o papel e mandava trocar num posto determinado, onde o motorista abastecia de 40% a 50% do adiantamento, numa bomba a prazo, e o que sobrava sa\u00eda em dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O posto acumulava os pap\u00e9is e cobrava a transportadora a cada quinze dias; se ela quebrasse no meio, o posto ia junto. Pela conta da executiva, o caminhoneiro perdia pelo menos 15% do rendimento nessa inefici\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O preju\u00edzo, na leitura dela, n\u00e3o parava no bolso do motorista. \u201c[\u2026] se esse sistema \u00e9 informal, o caminhoneiro, a gente n\u00e3o consegue saber quanto que ele ganha, o banco n\u00e3o consegue saber quanto ele ganha, vai dar financiamento para ele trocar o caminh\u00e3o?\u201d, disse. Sem renda comprov\u00e1vel n\u00e3o havia cr\u00e9dito para renovar o ve\u00edculo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 678px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.letsmoney.com.br\/_next\/image\/?url=https%3A%2F%2Fuploads.letsmoney.com.br%2F2026%2F09%2F0Q3A0693-1nb7sm.webp&amp;w=1920&amp;q=75\" alt=\"Como a Roadcard virou o banco do caminhoneiro | Let's Money\" width=\"678\" height=\"452\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Anna Luiza Miranda, Diretora da Roadcard. Foto: Abner Garcia, Let\u2019s Money<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Oito anos vendendo o que a lei ainda n\u00e3o exigia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A venda do pagamento eletr\u00f4nico de frete come\u00e7ou em 2003, e a carta-frete s\u00f3 foi formalmente declarada ilegal em 2011. Foram oito anos convencendo a transportadora a abrir m\u00e3o de um prazo de quinze dias que ela acreditava estar ganhando. A lei do vale-ped\u00e1gio obrigat\u00f3rio \u00e9 anterior, de 2001, mas, segundo a executiva, o frete alavancou muito mais r\u00e1pido que o ped\u00e1gio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Virar lei tamb\u00e9m n\u00e3o encerrou o assunto. \u201cPra voc\u00eas entenderem, a gente t\u00e1 em 2026. S\u00f3 30% do mercado utiliza um sistema, um meio de pagamento legal [\u2026]. \u00c9 muito pouco. Voc\u00ea chega num posto de abastecimento, voc\u00ea v\u00ea l\u00e1 assim, troca-se, carta-frete. Est\u00e1 escrito at\u00e9 hoje\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que voltou a mexer no tamanho do mercado foi o c\u00f3digo identificador da opera\u00e7\u00e3o de transporte, o CIOT, protocolado na ANTT. Agora quem tem frota pr\u00f3pria tamb\u00e9m precisa emitir o documento, e a regulamenta\u00e7\u00e3o mais recente abriu outra porta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, cada contrato de transporte, tanto \u00e9 que nessa \u00faltima regulamenta\u00e7\u00e3o, ele vai poder at\u00e9 ser um documento para virar um receb\u00edvel\u201d, disse. A norma prepara ainda a liquida\u00e7\u00e3o, em que a institui\u00e7\u00e3o de pagamento eletr\u00f4nico de frete precisa comprovar que o frete foi mesmo pago. Segundo ela, a entrada de clientes acelerou com o aperto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O cart\u00e3o ao portador que destravou a venda<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira prospec\u00e7\u00e3o numa transportadora grande trouxe uma obje\u00e7\u00e3o que ela n\u00e3o previa. O cart\u00e3o era embossado: levava dez dias para ser emitido e chegava ao endere\u00e7o do motorista, e na log\u00edstica quem carrega hoje pode n\u00e3o carregar amanh\u00e3. \u201c[\u2026] na hora que eu voltei pra casa, eu falei, gente, eu preciso de um cart\u00e3o ao portador\u201d, contou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sa\u00edda foi mover a emiss\u00e3o para dentro do cliente. A transportadora comprava um lote de cart\u00f5es, cadastrava o motorista pelo sistema e entregava o pl\u00e1stico no balc\u00e3o, virando uma esp\u00e9cie de ag\u00eancia. \u201cEnt\u00e3o, a gente transformou um c\u00edrculo vicioso num c\u00edrculo virtuoso. Porque o caminhoneiro tem preservado o meio de pagamento. Ent\u00e3o, se o meio de pagamento est\u00e1 na m\u00e3o dele, pode escolher o posto que ele quer abastecer [\u2026] e fazendo isso, a gente devolve a rentabilidade para ele\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O produto j\u00e1 era, na descri\u00e7\u00e3o dela, outra categoria. \u201cEu costumo brincar que se eu estiver na balada, eu falo que \u00e9 um internet bank para o mercado de log\u00edstica e j\u00e1 mudo de assunto\u201d, contou. Faltava definir quem pagaria a conta. \u201c[\u2026] a gente criou que era um percentual sobre o valor de frete que o transportador paga. Ent\u00e3o, assim, todo o nosso modelo de neg\u00f3cio sempre foi baseado no contratante do transporte pagando, e n\u00e3o o caminhoneiro\u201d, explicou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do lado regulat\u00f3rio n\u00e3o havia arranjo pr\u00f3prio. \u201cA gente s\u00f3 podia existir com um banco parceiro\u201d, afirmou. O cliente precisava ser correntista do Bradesco, um contrato tripartite autorizava o sistema Pamcard a comandar o d\u00e9bito na conta dele e o cr\u00e9dito no cart\u00e3o do caminhoneiro, e a empresa n\u00e3o transitava dinheiro. Com o Pix, o cliente passou a depositar antes o recurso do m\u00eas e a opera\u00e7\u00e3o virou, nas palavras dela, um ledger de compra antecipada de recursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A exig\u00eancia que ela levou para a mesa dos parceiros era de tempo. Quando a empresa foi montar a conta digital do caminhoneiro, ouviu que a abertura levaria uma hora. \u201ceu falei, querido, mais de 10 minutos eu n\u00e3o assino o contrato.\u201d, contou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A log\u00edstica, lembra ela, \u00e9 24 por 7. A resist\u00eancia do motorista mais velho \u00e0 conta digital ainda existe, e por isso o cart\u00e3o segue forte num mercado em que boa parte das contas abertas nunca vira relacionamento ativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Trocar a asa do avi\u00e3o com ele no c\u00e9u<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sistema que sustenta tudo isso \u00e9 o mesmo do come\u00e7o. \u201cEu vim com um sistema de 2003. [\u2026] Como \u00e9 trocar a asa de um avi\u00e3o? Que movimenta 16, 18 bi por ano com ele no c\u00e9u. Como voc\u00ea transforma um sistema monol\u00edtico num sistema micro servi\u00e7o, com low-code?\u201d, perguntou. A moderniza\u00e7\u00e3o compete com a r\u00e9gua do regulador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTem projetos meus que tiveram que ser congelados, porque essa \u00faltima da ANTT a\u00ed, meu, demandou tr\u00eas meses full time da gente\u201d, afirmou. A empresa acabou de separar inova\u00e7\u00e3o de produto para arbitrar essa disputa por receita, risco, custo operacional e fideliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A conta fecha, e foi ela quem trouxe o n\u00famero. \u201c[\u2026] um ponto que voc\u00eas n\u00e3o perguntaram, mas eu tenho o maior orgulho, vou falar, \u00e9 37% de EBITDA\u201d, disse. O m\u00e9todo de leitura do cliente, conta, \u00e9 de campo: ela viajou quatro dias na boleia de um caminhoneiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fronteira agora \u00e9 cr\u00e9dito. \u201cSe voc\u00ea olhar dentro da Roadcard hoje, a gente explorou 30% do potencial de frete que tem nos meus clientes. 30. S\u00f3 dos que tem. 70 \u00e9 porque eles precisam de prazo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O caminho tem sido intermediar financiamento com o Bradesco, apoiado numa informa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de obter de fora. \u201cQuem tem conta digital que sabe quando vai cair o dinheiro na conta digital? Quem? Eu sei. [\u2026] Ent\u00e3o, eu conhe\u00e7o toda a entrada do dinheiro\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O balan\u00e7o que ela faz da travessia n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico. \u201cteve muito erro, teve muito estresse, teve muita incompreens\u00e3o, chacota, tudo que voc\u00ea pode imaginar, mas nem por um minuto a gente deixou de acreditar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que observar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O caso mostra uma verticaliza\u00e7\u00e3o que nasce de um cadastro, n\u00e3o de uma licen\u00e7a: quem j\u00e1 tinha o hist\u00f3rico de risco de um p\u00fablico inteiro vendeu meio de pagamento antes de o regulador exigir. Para plataformas com base cativa em setores de baixa formaliza\u00e7\u00e3o, o ponto de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a dist\u00e2ncia entre a norma e a pr\u00e1tica, que aqui persiste anos depois de a lei mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale acompanhar tamb\u00e9m o que acontece quando o documento de uma opera\u00e7\u00e3o vira receb\u00edvel: a ag\u00eancia reguladora entra na cadeia de cr\u00e9dito, e quem opera o meio de pagamento herda a obriga\u00e7\u00e3o de comprovar a liquida\u00e7\u00e3o. E, num mercado em que quem contrata n\u00e3o \u00e9 quem usa, a disputa tende a migrar da tarifa para o prazo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Let&#8217;s Money (Internet), em 24\/09\/2026, por Gabriel Pereira. &nbsp; Anna Luiza Miranda, diretora da Roadcard, narra toda a trajet\u00f3ria da empresa. Antigamente, caminhoneiros recebiam adiantamentos por meio de um papel informal que os obrigava a gastar at\u00e9 50% do valor em postos espec\u00edficos. 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