{"id":77438,"date":"2026-06-05T13:26:51","date_gmt":"2026-06-05T16:26:51","guid":{"rendered":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/?p=77438"},"modified":"2026-06-05T13:26:51","modified_gmt":"2026-06-05T16:26:51","slug":"bid-testa-pagamento-internacional-com-cripto-na-al","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/cardclipping\/2026\/06\/bid-testa-pagamento-internacional-com-cripto-na-al\/","title":{"rendered":"BID testa pagamento internacional com \u2018cripto\u2019 na AL"},"content":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4mico (Jornal Impresso), em 05\/06\/2026, por Lara Asano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bancos centrais da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, incluindo o do Brasil, est\u00e3o acompanhando um projeto-piloto do BID para testar uma infraestrutura regional de liquida\u00e7\u00e3o de valores com moedas digitais emitidas por autoridades monet\u00e1rias. A iniciativa, chamada CBWeb3, tem entre seus objetivos permitir pagamentos transfronteiri\u00e7os e opera\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio entre pa\u00edses da regi\u00e3o sem depender necessariamente do d\u00f3lar ou de bancos correspondentes como intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O projeto testa dois modelos principais. O primeiro replica, em ambiente tokenizado, a l\u00f3gica dos bancos correspondentes, usados em transfer\u00eancias internacionais. O segundo \u00e9 considerado mais inovador: envolve o uso de \u201cpools\u201d de liquidez, em que a convers\u00e3o entre moedas poderia ser feita por meio de algoritmos, com base na oferta e demanda de cada par. A expectativa dos envolvidos \u00e9 que os testes com bancos centrais avancem ao longo do segundo semestre. Por ora, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de entrada em produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia \u00edntegra abaixo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BID testa pagamento internacional com \u2018cripto\u2019 na AL<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bancos centrais da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, incluindo o do Brasil, est\u00e3o acompanhando um projeto-piloto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para testar uma infraestrutura regional de liquida\u00e7\u00e3o de valores com moedas digitais emitidas por autoridades monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A iniciativa, chamada CBWeb3, tem entre seus objetivos permitir pagamentos transfronteiri\u00e7os e opera\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio entre pa\u00edses da regi\u00e3o sem depender necessariamente do d\u00f3lar ou de bancos correspondentes como intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto ocorre em um momento em que bancos centrais de diferentes pa\u00edses reavaliam o desenho de suas moedas digitais. No Brasil, o Drex perdeu tra\u00e7\u00e3o no formato originalmente pensado, depois de o BC apontar dificuldades t\u00e9cnicas relacionadas \u00e0 privacidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nova iniciativa regional, por\u00e9m, tem escopo mais restrito: em vez de uma moeda digital de uso amplo no mercado dom\u00e9stico, o foco est\u00e1 em pagamentos entre pa\u00edses, c\u00e2mbio \u201ctokenizado\u201d e liquida\u00e7\u00e3o em ambiente de testes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 criar uma infraestrutura em que cada banco central possa emitir sua moeda tokenizada, preservando a autoridade monet\u00e1ria de cada pa\u00eds. N\u00e3o se trata, portanto, de uma moeda \u00fanica regional. Em um exemplo hipot\u00e9tico, um importador brasileiro poderia pagar uma empresa colombiana em reais tokenizados, enquanto o exportador receberia pesos colombianos tokenizados, com a convers\u00e3o feita dentro da pr\u00f3pria infraestrutura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Projeto foi desenhado como um bem p\u00fablico digital, com c\u00f3digos e modelos disponibilizados em formato aberto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de muitas vezes ser associado ao conceito de CBDC, as moedas digitais emitidas pelos BCs, o projeto usa uma nomenclatura mais espec\u00edfica. Segundo Marcos Sarres, CEO da GoLedger, empresa que participa do desenvolvimento tecnol\u00f3gico da iniciativa, a moeda usada no piloto \u00e9 chamada de TCBM, sigla para dinheiro tokenizado por banco central.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A iniciativa foi idealizada pelo BID Lab, bra\u00e7o de inova\u00e7\u00e3o do BID, e executada com apoio da LNET, funda\u00e7\u00e3o ligada ao ecossistema da antiga LACChain. O cons\u00f3rcio formado pela \u00c1guila Hub e pela GoLedger foi selecionado para apoiar o desenvolvimento da solu\u00e7\u00e3o. Segundo Luiz Fernando Jeronymo, s\u00f3cio da \u00c1guila Hub, o projeto come\u00e7ou a ser estruturado no fim de 2024 e entrou em fase final de codifica\u00e7\u00e3o neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto testa dois modelos principais. O primeiro replica, em ambiente tokenizado, a l\u00f3gica dos bancos correspondentes, usados em transfer\u00eancias internacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 considerado mais inovador: envolve o uso de \u201cpools\u201d de liquidez, em que a convers\u00e3o entre moedas poderia ser feita por meio de algoritmos, com base na oferta e demanda de cada par.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A promessa \u00e9 reduzir custos e prazos de transfer\u00eancias internacionais. Hoje, remessas e pagamentos entre pa\u00edses costumam depender de uma cadeia de intermedi\u00e1rios, al\u00e9m de convers\u00f5es que frequentemente passam pelo d\u00f3lar. Em uma infraestrutura tokenizada, a liquida\u00e7\u00e3o poderia ocorrer em minutos, segundo Sarres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo fontes ouvidas pelo Valor, institui\u00e7\u00f5es brasileiras foram procuradas ou demonstraram interesse em acompanhar a iniciativa. O Banco do Brasil estava em conversas avan\u00e7adas para participar dos testes, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Procurado, o banco n\u00e3o quis comentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do lado t\u00e9cnico, um dos principais desafios \u00e9 a privacidade. Esse ponto foi central no Drex e continua sendo uma preocupa\u00e7\u00e3o para projetos que envolvem ativos tokenizados em ambiente regulado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em uma rede compartilhada, bancos e autoridades precisam garantir que as transa\u00e7\u00f5es sejam verific\u00e1veis, mas sem expor informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, como posi\u00e7\u00e3o de liquidez, valores negociados e relacionamento entre institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sarres afirma que a privacidade foi tratada desde o in\u00edcio no CBWeb3. Segundo ele, o projeto utiliza t\u00e9cnicas de prova de conhecimento zero, conhecidas como ZKP, para permitir que apenas as partes envolvidas na opera\u00e7\u00e3o e os respectivos bancos centrais tenham acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es da transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSe eu tiver um banco querendo fazer uma opera\u00e7\u00e3o com um segundo banco, ele n\u00e3o quer que o resto do mercado compreenda a sua opera\u00e7\u00e3o, saiba quanto ele tem de liquidez ou quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es nesse sentido. Isso \u00e9 natural\u201d, diz Sarres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jeronymo afirma que o piloto do BID aproveita aprendizados do Drex, mas n\u00e3o substitui o projeto brasileiro. Segundo ele, a iniciativa regional pode funcionar como um complemento, ao permitir que o Banco Central brasileiro teste ferramentas de privacidade que n\u00e3o chegaram a ser experimentadas no Drex.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m foi desenhado como um bem p\u00fablico digital. Isso significa que os c\u00f3digos e modelos desenvolvidos devem ser disponibilizados em formato aberto, permitindo que outros pa\u00edses, bancos centrais ou institui\u00e7\u00f5es financeiras testem a infraestrutura no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A expectativa dos envolvidos \u00e9 que os testes com bancos centrais avancem ao longo do segundo semestre. Por ora, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de entrada em produ\u00e7\u00e3o. O piloto deve servir para que cada autoridade monet\u00e1ria avalie, de acordo com sua maturidade tecnol\u00f3gica e regulat\u00f3ria, se pretende usar a infraestrutura em novos casos de uso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em nota ao Valor, o Banco Central afirmou que acompanha \u201ccom interesse\u201d o piloto, conduzido pelo BID e voltado ao desenvolvimento de infraestruturas digitais para negocia\u00e7\u00e3o de ativos e liquida\u00e7\u00e3o em moedas de bancos centrais na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Banco Central, no entanto, disse que \u201cn\u00e3o tem mantido participa\u00e7\u00e3o ativa na iniciativa\u201d. Ainda assim, afirmou buscar acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do projeto \u201ccom vistas a incorporar aprendizados relevantes e permanecer alinhada \u00e0s discuss\u00f5es internacionais sobre o tema\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4mico (Jornal Impresso), em 05\/06\/2026, por Lara Asano. &nbsp; Bancos centrais da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, incluindo o do Brasil, est\u00e3o acompanhando um projeto-piloto do BID para testar uma infraestrutura regional de liquida\u00e7\u00e3o de valores com moedas digitais emitidas por autoridades monet\u00e1rias. 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