{"id":76989,"date":"2026-05-21T17:09:22","date_gmt":"2026-05-21T20:09:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/?p=76989"},"modified":"2026-05-21T17:09:22","modified_gmt":"2026-05-21T20:09:22","slug":"por-que-o-bc-vai-na-contramao-de-visa-adyen-e-do-mercado-global-de-stablecoins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/cardclipping\/2026\/05\/por-que-o-bc-vai-na-contramao-de-visa-adyen-e-do-mercado-global-de-stablecoins\/","title":{"rendered":"Por que o BC vai na contram\u00e3o de Visa, Adyen e do mercado global de stablecoins"},"content":{"rendered":"<p>Exame (Internet), em 20\/05\/2026, por Reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto executivos de algumas das maiores empresas de pagamentos do mundo discutiam em Amsterd\u00e3 como stablecoins podem transformar a infraestrutura financeira global, o Brasil afirmava uma abordagem mais restritiva ao setor. Catherine Parker, diretora de crescimento da Visa, afirmou que stablecoins s\u00e3o centrais para a estrat\u00e9gia de crescimento da empresa e descreveu o movimento menos como uma aposta em criptoativos e mais como uma moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura financeira.<\/p>\n<p>Na Adyen, a leitura \u00e9 parecida. Gautam Sawhney, diretor global de ativos digitais da processadora holandesa, afirmou que a empresa come\u00e7ou a observar demanda crescente por solu\u00e7\u00f5es que reduzam atritos em pagamentos internacionais. Enquanto EUA e Europa avan\u00e7am em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o institucional das stablecoins, o Banco Central brasileiro decidiu restringir seu uso em alguns tipos de remessas internacionais reguladas. O BC n\u00e3o proibiu compra, venda ou cust\u00f3dia de stablecoins por investidores. A restri\u00e7\u00e3o atinge especificamente o uso institucional na liquida\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es internacionais reguladas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia \u00edntegra abaixo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que o BC vai na contram\u00e3o de Visa, Adyen e do mercado global de stablecoins<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto executivos de algumas das maiores empresas de pagamentos do mundo discutiam em Amsterd\u00e3 como stablecoins podem transformar a infraestrutura financeira global, o Brasil afirmava uma abordagem mais restritiva ao setor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Visa j\u00e1 liquida entre US$ 7 bilh\u00f5es e US$ 8 bilh\u00f5es em stablecoins com parceiros emissores, segundo Catherine Parker, diretora de crescimento da bandeira. A empresa mant\u00e9m 160 programas de cart\u00f5es ligados a ativos digitais, expans\u00e3o de aproximadamente 200% em um ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cStablecoins s\u00e3o centrais para a estrat\u00e9gia de crescimento da Visa\u201d, afirmou Parker durante o Stablecon, confer\u00eancia sobre ativos digitais realizada na capital holandesa entre 19 e 20 de maio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/classic.exame.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banco-central.jpg?ims=1200x675\" alt=\"Por que o BC vai na contram\u00e3o de Visa, Adyen e do mercado global de  stablecoins | Exame\" width=\"702\" height=\"395\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A executiva descreveu o movimento menos como uma aposta em criptoativos e mais como uma moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura financeira. \u201cAs camadas dos sistemas de pagamentos est\u00e3o evoluindo\u201d, disse. \u201cStablecoins d\u00e3o respostas para sistemas que continuam fragmentados, caros e ineficientes, especialmente em pagamentos internacionais.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O argumento aparece em um momento em que grandes empresas financeiras passaram a tratar moedas digitais pareadas ao d\u00f3lar como ferramenta operacional para liquida\u00e7\u00e3o imediata e gest\u00e3o de liquidez global, e n\u00e3o apenas como um ativo do mercado cripto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Adyen, que processa pagamentos de gigantes como Spotify, Uber e McDonald\u2019s, a leitura \u00e9 parecida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gautam Sawhney, diretor global de ativos digitais da processadora holandesa, afirmou que a empresa come\u00e7ou a observar demanda crescente por solu\u00e7\u00f5es que reduzam atritos em pagamentos internacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cExistem bols\u00f5es onde a infraestrutura banc\u00e1ria continua lenta, cara e sem transpar\u00eancia\u201d, afirmou. \u201cStablecoins come\u00e7am a preencher esses espa\u00e7os de maneira mais eficiente.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O executivo citou mercados com infla\u00e7\u00e3o elevada e volatilidade cambial, incluindo a Am\u00e9rica Latina e o Paquist\u00e3o, como exemplos de onde o d\u00f3lar digital j\u00e1 encontra utilidade pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O foco deixou de ser especula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O principal caso de uso defendido por Visa e Adyen n\u00e3o envolve negocia\u00e7\u00e3o de criptoativos, mas a moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura de pagamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando um consumidor passa o cart\u00e3o Visa, conectado ao seu banco, a maquininha do lojista, que roda o sistema da Adyen, autoriza a compra em segundos. Mas o dinheiro leva de um a tr\u00eas dias \u00fateis para chegar \u00e0 conta do comerciante, porque a liquida\u00e7\u00e3o entre os dois bancos ainda depende dos hor\u00e1rios e do sistema financeiro tradicional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a Parker, da Visa, as stablecoins permitem liquida\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, inclusive em fins de semana e fora do hor\u00e1rio banc\u00e1rio. Pagamentos entre subsidi\u00e1rias globais, repasses para prestadores no exterior e creator\u2019s economy est\u00e3o entre alguns dos fluxos testados pelas empresas, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, reguladores internacionais passaram a criar estruturas espec\u00edficas para o setor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos EUA, a lei chamada de Genius Act estabeleceu regras para emissores de stablecoins e consolidou a vis\u00e3o de que moedas digitais pareadas ao d\u00f3lar podem funcionar como extens\u00e3o da infraestrutura financeira americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Europa, a regulamenta\u00e7\u00e3o MiCA criou um arcabou\u00e7o regulat\u00f3rio para ativos digitais, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) passou a monitorar formalmente pagamentos tokenizados e sistemas de liquida\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA regulamenta\u00e7\u00e3o virou um vento de cauda\u201d, afirmou Parker. \u201cParceiros banc\u00e1rios ficaram mais confort\u00e1veis para operar programas ligados a stablecoins depois que houve clareza regulat\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O movimento do Banco Central no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto EUA e Europa avan\u00e7am em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o institucional das stablecoins, o Banco Central brasileiro decidiu restringir seu uso em alguns tipos de remessas internacionais reguladas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 30 de abril, o BC publicou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 561, alterando regras do eFX, a estrutura regulat\u00f3ria para pagamentos internacionais empresariais. O artigo 50 estabelece que a liquida\u00e7\u00e3o entre prestadores de eFX e contrapartes no exterior deve acontecer exclusivamente por opera\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio tradicional ou movimenta\u00e7\u00e3o em conta de n\u00e3o residente, \u201csendo vedado o uso de ativos virtuais\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, empresas que usavam stablecoins como camada operacional para transfer\u00eancias internacionais nesta modalidade de opera\u00e7\u00e3o v\u00e3o precisar reformular a estrutura. O impacto potencial fica principalmente com fintechs focadas em pagamentos globais e remessas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC n\u00e3o proibiu compra, venda ou cust\u00f3dia de stablecoins por investidores. A restri\u00e7\u00e3o atinge especificamente o uso institucional na liquida\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es internacionais reguladas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que o mercado diz<\/strong><\/p>\n<p>Parte do setor avalia que o BC optou por priorizar controle regulat\u00f3rio e supervis\u00e3o em um segmento historicamente sens\u00edvel no Brasil, o c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bernardo Brites, s\u00f3cio da Trace Finance, afirmou que a resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa exatamente uma proibi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, mas uma reafirma\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o do regulador sobre opera\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o foi um banimento\u201d, disse Brites em entrevista \u00e0 EXAME. \u201cFoi uma reafirma\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 n\u00e3o podia. eFX sempre foi liquida\u00e7\u00e3o em c\u00e2mbio.\u201d Segundo ele, o BC passou a adotar postura menos tolerante com empresas que operavam em zonas cinzentas regulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO BC hoje prefere trabalhar com players mais estruturados e sob maior observ\u00e2ncia regulat\u00f3ria\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Trace afirma que nunca utilizou stablecoins para liquidar opera\u00e7\u00f5es reguladas de c\u00e2mbio e, por isso, n\u00e3o precisar\u00e1 alterar seu modelo operacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda assim, parte do mercado v\u00ea risco de perda de competitividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isabel Sica Longhi, diretora de pol\u00edticas p\u00fablicas e regula\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina da Ripple, afirmou que as stablecoins s\u00e3o globais por defini\u00e7\u00e3o e restringir acesso no Brasil leva os usu\u00e1rios para canais que o BC n\u00e3o consegue monitorar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, para empresas globais de pagamentos, a discuss\u00e3o j\u00e1 deixou de ser sobre se stablecoins ter\u00e3o papel relevante na infraestrutura financeira. A quest\u00e3o agora \u00e9 como integrar esses ativos ao sistema existente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vemos stablecoins substituindo cart\u00f5es\u201d, afirmou Parker. \u201cVemos as duas estruturas convergindo para tornar os pagamentos mais eficientes.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o das empresas do setor, os maiores vencedores provavelmente ser\u00e3o aqueles capazes de esconder a complexidade tecnol\u00f3gica do usu\u00e1rio final.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO consumidor n\u00e3o precisa saber o que acontece por tr\u00e1s dos trilhos\u201d, disse a executiva da Visa. \u201cEle s\u00f3 precisa de uma experi\u00eancia que funcione.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exame (Internet), em 20\/05\/2026, por Reda\u00e7\u00e3o. &nbsp; Enquanto executivos de algumas das maiores empresas de pagamentos do mundo discutiam em Amsterd\u00e3 como stablecoins podem transformar a infraestrutura financeira global, o Brasil afirmava uma abordagem mais restritiva ao setor. 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