{"id":76501,"date":"2026-04-23T10:51:49","date_gmt":"2026-04-23T13:51:49","guid":{"rendered":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/?p=76501"},"modified":"2026-04-23T10:51:49","modified_gmt":"2026-04-23T13:51:49","slug":"o-que-muda-no-pix-a-partir-de-maio-com-o-med-2-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/cardclipping\/2026\/04\/o-que-muda-no-pix-a-partir-de-maio-com-o-med-2-0\/","title":{"rendered":"O que muda no Pix a partir de maio com o MED 2.0"},"content":{"rendered":"<p>Finsiders Brasil (Internet), em 22\/04\/2026, por Murilo Melo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A taxa de recupera\u00e7\u00e3o de fraude no Pix est\u00e1 em 13,31%, segundo dados de fevereiro do BC. O BC sabe que o n\u00famero \u00e9 baixo. Para tentar reverter esse quadro, a autarquia est\u00e1 a menos de tr\u00eas semanas de uma nova mudan\u00e7a no sistema. Em 11 de maio termina o per\u00edodo de conviv\u00eancia com a vers\u00e3o MED 1.0. O MED 2.0 amplia o rastreamento do dinheiro para m\u00faltiplas camadas. Para as institui\u00e7\u00f5es que operam no modelo de BaaS, o MED 2.0 traz uma camada adicional de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O prestador de servi\u00e7o de pagamento, a institui\u00e7\u00e3o regulada, \u00e9 respons\u00e1vel por monitorar cada tomador individualmente. O problema pr\u00e1tico \u00e9 que, nos contratos mais antigos, o benefici\u00e1rio final do pagamento ainda fica escondido atr\u00e1s do tomador de servi\u00e7o. H\u00e1 uma lacuna estrutural que o MED 2.0 ainda n\u00e3o resolve: o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es de fraude entre institui\u00e7\u00f5es ainda muito ineficiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia \u00edntegra abaixo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que muda no Pix a partir de maio com o MED 2.0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De cada R$ 100 desviados por fraude no Pix, menos de R$ 14 voltam para a v\u00edtima. A taxa de recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 em 13,31%, segundo dados do Banco Central (BC) referentes a fevereiro deste ano. O n\u00famero \u00e9 baixo, e o BC sabe disso. Para tentar reverter esse quadro, a autarquia est\u00e1 a menos de tr\u00eas semanas de uma nova mudan\u00e7a no sistema de pagamentos instant\u00e2neos brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Breno Lobo, chefe-adjunto do Departamento de Competi\u00e7\u00e3o e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, apresentou os detalhes da nova vers\u00e3o do Mecanismo Especial de Devolu\u00e7\u00e3o (MED), usado para pedir a devolu\u00e7\u00e3o de um Pix desviado, durante o \u201cConex\u00e3o ABBaaS\u201d, evento da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Banking as a Service (ABBaaS), realizado nesta quarta-feira (22\/4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O prazo que o mercado precisa marcar na agenda \u00e9 11\/5. Nessa data, o per\u00edodo de conviv\u00eancia entre o MED 1.0 e o MED 2.0 se encerra, o endpoint antigo de notifica\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o \u00e9 desligado definitivamente e o novo fluxo passa a ser a \u00fanica forma de acionar o mecanismo. Institui\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o adaptaram seus sistemas e n\u00e3o realizaram os testes disponibilizados pelo BC desde 13\/4 correm risco operacional. \u201cA gente n\u00e3o vai multar quem n\u00e3o fizer os testes, mas \u00e9 realmente importante para o sistema que esses testes sejam feitos\u201d, disse Breno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o do MED<\/strong><\/p>\n<p>Criado em 2021, o MED \u00e9 aplic\u00e1vel apenas em situa\u00e7\u00f5es comprovadas de fraude ou falhas operacionais por parte da institui\u00e7\u00e3o financeira. A ferramenta n\u00e3o se destina a resolver disputas comerciais, nem pode ser utilizada em transa\u00e7\u00f5es entre terceiros de boa-f\u00e9 ou em casos de envio de Pix para destinat\u00e1rio incorreto por erro do pr\u00f3prio pagador, como por digita\u00e7\u00e3o equivocada de uma chave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O modelo original funcionava, mas tinha um limite claro: ele s\u00f3 rastreava a primeira conta que recebia o dinheiro roubado. \u201cOs fraudadores perceberam e come\u00e7aram a usar as contas laranjas para rapidamente escoar recursos para outras contas laranjas, para finalmente a conta utilizada por um destino receber os recursos\u201d, explicou Breno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A conta na primeira camada estava vazia quando o MED era acionado. O dinheiro tinha viajado para a segunda, terceira, quarta camada, sem que nenhuma delas fosse identificada como fraudulenta ou houvesse o bloqueio do saldo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/woovi-prd-marketing.s3.us-east-1.amazonaws.com\/MED_02_f4398170c3.webp\" alt=\"Woovi | MED 2.0 no Pix: mudan\u00e7as e impactos | Woovi - Venda ao infinito\" width=\"694\" height=\"347\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como o MED 2.0 muda o jogo<\/strong><\/p>\n<p>O MED 2.0 amplia esse alcance. A partir de 11\/5, se os criminosos dividirem o dinheiro em mais de uma conta, o BC vai analisar todas elas. O especialista explicou que um algoritmo desenvolvido pela autarquia com apoio do Grupo de Acompanhamento do MED (Gamed) vai mapear o trajeto mais prov\u00e1vel que os recursos percorreram ap\u00f3s a transa\u00e7\u00e3o original e distribuir automaticamente as notifica\u00e7\u00f5es de infra\u00e7\u00e3o para todas as institui\u00e7\u00f5es identificadas nesse caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso representa uma mudan\u00e7a importante de pap\u00e9is. Antes, o Provedor de Servi\u00e7os de Pagamento (PSP) do pagador abria a notifica\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o manualmente para cada transa\u00e7\u00e3o suspeita. Agora, ele abre uma recupera\u00e7\u00e3o de valor por meio de um novo endpoint do Diret\u00f3rio de Identificadores de Transa\u00e7\u00f5es do Pix (DICT), e o pr\u00f3prio BC passa a coordenar o envio das notifica\u00e7\u00f5es para as demais institui\u00e7\u00f5es envolvidas. O processo de an\u00e1lise em cada PSP, segundo Breno, segue o mesmo de sempre: sete dias para aceitar ou rejeitar a notifica\u00e7\u00e3o, e 72 horas ap\u00f3s a aceita\u00e7\u00e3o para emitir a solicita\u00e7\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A expans\u00e3o para terceira, quarta camada e al\u00e9m vai acontecer, mas com calma deliberada. \u201cA gente n\u00e3o vai para a terceira camada quando a gente n\u00e3o se sentir seguro de que o algoritmo est\u00e1 de fato funcionando\u201d, afirmou o especialista. O BC quer monitorar os resultados e calibrar o equil\u00edbrio entre contas identificadas como fraudulentas e falsos positivos antes de ampliar o raio de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A meta que o Banco Central n\u00e3o tem<\/strong><\/p>\n<p>Quando perguntado sobre uma meta num\u00e9rica de recupera\u00e7\u00e3o, Breno disse que o BC n\u00e3o tem um n\u00famero definido para o novo \u00edndice de devolu\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o, conforme ele, \u00e9 simples: n\u00e3o h\u00e1 como prever com precis\u00e3o a efetividade do algoritmo antes de v\u00ea-lo em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que isso, o objetivo central do MED 2.0 n\u00e3o \u00e9 necessariamente recuperar mais dinheiro. \u201cA gente quer encarecer o trabalho dos fraudadores porque a partir de um determinado momento j\u00e1 n\u00e3o vai mais valer a pena\u201d, disse ele. Cada conta laranja identificada e marcada como fraudulenta no DICT torna mais dif\u00edcil para o fraudador abrir novas contas e continuar operando. A ideia \u00e9 criar um efeito acumulativo de restri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Junto ao MED 2.0, o BC tamb\u00e9m revisou os acordos de n\u00edvel de servi\u00e7o (SLA, na sigla em ingl\u00eas) para as devolu\u00e7\u00f5es. O prazo padr\u00e3o caiu de 24 horas em 95% dos casos para 6 horas em 99% dos casos. Para situa\u00e7\u00f5es de falha operacional, o prazo vai a 48 horas. Institui\u00e7\u00f5es que descumprirem esses tempos de forma recorrente j\u00e1 est\u00e3o sendo acionadas pelo Banco Central e podem responder a processos de apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O n\u00f3 do BaaS e o pr\u00f3ximo problema a resolver<\/strong><\/p>\n<p>Para as institui\u00e7\u00f5es que operam no modelo de Banking as a Service (BaaS), o MED 2.0 traz uma camada adicional de aten\u00e7\u00e3o, afirmou Breno. O prestador de servi\u00e7o de pagamento, a institui\u00e7\u00e3o regulada, \u00e9 respons\u00e1vel por monitorar cada tomador individualmente. A Resolu\u00e7\u00e3o Conjunta n\u00ba 16 d\u00e1 prazo at\u00e9 o final de 2026 para conformidade total, mas o Banco Central recomenda que as adapta\u00e7\u00f5es venham o quanto antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema pr\u00e1tico \u00e9 que, nos contratos mais antigos, o benefici\u00e1rio final do pagamento ainda fica opaco, escondido atr\u00e1s do tomador de servi\u00e7o. Quando a notifica\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o chega, ela aponta para o tomador, n\u00e3o para o fraudador. A conta correta n\u00e3o \u00e9 marcada. O fraudador segue operando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do BaaaS, h\u00e1 uma lacuna estrutural que o MED 2.0 ainda n\u00e3o resolve, e que o pr\u00f3prio Breno reconheceu abertamente. O DICT, base de dados central do Pix, os provedores privados de solu\u00e7\u00f5es antifraude e a Resolu\u00e7\u00e3o Conjunta n\u00ba 6, que organiza o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es de fraude entre institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se comunicam entre si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC, segundo o especialista, j\u00e1 iniciou discuss\u00f5es internas para conectar essas bases, mas o caminho ainda \u00e9 longo. Quando essa conex\u00e3o vier, o sistema de detec\u00e7\u00e3o de fraudes no Brasil, diz ele, deve dar um salto de qualidade que o MED 2.0, por mais que avance, ainda n\u00e3o consegue dar sozinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Finsiders Brasil (Internet), em 22\/04\/2026, por Murilo Melo. &nbsp; A taxa de recupera\u00e7\u00e3o de fraude no Pix est\u00e1 em 13,31%, segundo dados de fevereiro do BC. O BC sabe que o n\u00famero \u00e9 baixo. 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