{"id":62856,"date":"2025-02-03T11:13:55","date_gmt":"2025-02-03T14:13:55","guid":{"rendered":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/?p=62856"},"modified":"2025-02-03T11:13:55","modified_gmt":"2025-02-03T14:13:55","slug":"lucro-dos-grandes-bancos-deve-melhorar-no-4o-trimestre-mas-o-anoitecer-preocupa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/cardclipping\/2025\/02\/lucro-dos-grandes-bancos-deve-melhorar-no-4o-trimestre-mas-o-anoitecer-preocupa\/","title":{"rendered":"Lucro dos grandes bancos deve melhorar no 4\u00ba trimestre, mas o \u2018anoitecer\u2019 preocupa"},"content":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4mico (Jornal Impresso), em 03\/02\/2025, por \u00c1lvaro Campos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo analistas, os n\u00fameros de outubro a dezembro dos grandes bancos ser\u00e3o positivos, com lucro e carteira em alta e inadimpl\u00eancia est\u00e1vel. Entretanto, mais importante que o resultado em si ser\u00e1 observar as proje\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o feitas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras e o que seus principais executivos dir\u00e3o a respeito de 2025 nas teleconfer\u00eancias. Juntos, Ita\u00fa Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander devem mostrar lucro de R$ 29,363 bilh\u00f5es no 4T24, alta de 1% em rela\u00e7\u00e3o ao 3T24 e de 22,7% frente ao 4T23.<\/p>\n<p>A XP lembra que o IFRS 9 vai provocar uma s\u00e9rie de reclassifica\u00e7\u00f5es. Outro fator que pode ter algum efeito nos balan\u00e7os no quarto trimestre, especialmente nos de algumas institui\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio porte, \u00e9 o consignado para benefici\u00e1rios do INSS, que alguns bancos suspenderam no final do ano passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia \u00edntegra abaixo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lucro dos grandes bancos deve melhorar no 4\u00ba trimestre, mas o \u2018anoitecer\u2019 preocupa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A temporada de balan\u00e7os dos grandes bancos brasileiros relativa ao quarto trimestre de 2024 deve mostrar o que os analistas est\u00e3o chamando de \u201cos \u00faltimos raios do p\u00f4r do sol\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso quer dizer que os n\u00fameros de outubro a dezembro ser\u00e3o positivos, com lucro e carteira em alta e inadimpl\u00eancia est\u00e1vel. Entretanto, mais importante que o resultado em si ser\u00e1 observar as proje\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o feitas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras e o que seus principais executivos dir\u00e3o a respeito de 2025 nas teleconfer\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a taxa Selic em alta, o cr\u00e9dito deve perder f\u00f4lego em 2025 e as preocupa\u00e7\u00f5es com a situa\u00e7\u00e3o fiscal s\u00e3o uma grande nuvem no horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Juntos, Ita\u00fa Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander devem mostrar lucro de R$ 29,363 bilh\u00f5es no quarto trimestre, o que representa alta de 1% em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas meses imediatamente anteriores e de 22,7% frente ao mesmo per\u00edodo de 2023, de acordo com a m\u00e9dia das proje\u00e7\u00f5es de dez casas colhidas pelo Valor. Em 2024 como um todo, o lucro deve somar R$ 112,4 bilh\u00f5es, com expans\u00e3o de 16%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/iC57F0d_xwySGOdTP47-VCaPJrE=\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2025\/Z\/l\/A5tzc9RI6LHpAp5iyOBg\/arte03fin-102-bancos-c1.jpg\" alt=\"Lucro dos grandes bancos deve melhorar no 4\u00ba trimestre, mas o 'anoitecer'  preocupa | Finan\u00e7as | Valor Econ\u00f4mico\" width=\"730\" height=\"621\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um relat\u00f3rio intitulado \u201cOs \u00faltimos raios do p\u00f4r-do-sol\u201d, o Ita\u00fa BBA diz que, apesar dos n\u00fameros positivos do quarto trimestre, o que vai importar mais \u00e9 a vis\u00e3o dos bancos para este ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo os analistas, o lucro combinado dos quatro grandes ainda deve subir em torno de 10% em 2025, mas o crescimento deve ficar concentrado no primeiro semestre, e dar um \u201cguidance\u201d (proje\u00e7\u00e3o) para o ano inteiro ser\u00e1 um desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 uma tarefa desafiadora [dar o guidance], dado o cen\u00e1rio vol\u00e1til e cada vez pior. Indicadores macroecon\u00f4micos piores (juros, infla\u00e7\u00e3o) aumentam os obst\u00e1culos ao cr\u00e9dito, o que tende a reduzir o apetite por novas concess\u00f5es. Esperamos que isso se reflita nos coment\u00e1rios dos executivos e nos guidances, com uma perspectiva de crescimento moderado da carteira (abaixo de 10%) e margem financeira est\u00e1vel\u201d, diz o Ita\u00fa BBA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Bradesco BBI tamb\u00e9m afirma que a aten\u00e7\u00e3o dos investidores estar\u00e1 voltada para o guidance de 2025 e chama aten\u00e7\u00e3o para a ado\u00e7\u00e3o do novo padr\u00e3o cont\u00e1bil, baseado no IFRS 9, que pode afetar as provis\u00f5es feitas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNotavelmente, acreditamos que os bancos incorporar\u00e3o um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico mais desafiador para 2025, o que pode se traduzir em um crescimento mais lento da carteira neste ano. Al\u00e9m disso, como os bancos enfrentar\u00e3o os impactos esperados do IFRS 9, acreditamos que alguns poder\u00e3o ter maiores demandas por provis\u00f5es em 2025.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Bank of America, a carteira de cr\u00e9dito dos grandes bancos deve crescer 9% neste ano, mas a expans\u00e3o da margem financeira l\u00edquida deve superar esse ritmo, apoiada pela margem com clientes \u2013 por causa de juros mais altos \u2013 e parcialmente compensada por uma margem com mercado menor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m esperamos que a qualidade dos ativos se deteriore e que o custo do risco aumente. Por fim, acreditamos que as receitas de tarifas devem acompanhar o crescimento das despesas operacionais\u201d, afirmam analistas do banco americano em relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Bernardo Guttmann, chefe do setor financeiro da \u00e1rea de an\u00e1lise da XP, olhando apenas a \u201cfoto\u201d dos n\u00fameros de cr\u00e9dito divulgados pelo Banco Central para dezembro, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma sinal de desacelera\u00e7\u00e3o nas carteiras. Por\u00e9m, segundo ele, as conversas com os executivos dos bancos nas \u00faltimas semanas mostram, sim, uma postura mais cautelosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cFicou bem claro que o sentimento dos bancos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia come\u00e7a a se alinhar mais com o dos mercados financeiros, com a vis\u00e3o mais pessimista da Faria Lima\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Guttmann, nenhum setor se destaca em termos de prov\u00e1vel piora da inadimpl\u00eancia, com exce\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, onde a expectativa \u00e9 que o n\u00famero de recupera\u00e7\u00f5es judiciais atinja um pico em fevereiro ou mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A XP lembra que, al\u00e9m das provis\u00f5es, o IFRS 9 tamb\u00e9m vai provocar uma s\u00e9rie de reclassifica\u00e7\u00f5es. Itens que antes eram contabilizados como receita de tarifas v\u00e3o para a margem financeira, como \u00e9 o caso da taxa cobrada pelos bancos para avalia\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel quando \u00e9 feito um financiamento habitacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, alguns gastos contabilizados como despesa administrativa, a exemplo dos encargos com cobran\u00e7as de d\u00edvidas, agora v\u00e3o para a linha de provis\u00f5es para devedores duvidosos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 os gastos com correspondentes banc\u00e1rios, os \u201cpastinhas\u201d, antes eram pagos integralmente no in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, e agora ser\u00e3o dilu\u00eddos ao longo do contrato. \u201cIsso vai mudar algumas linhas do balan\u00e7o e dificultar a compara\u00e7\u00e3o com per\u00edodos anteriores\u201d, afirma o analista Matheus Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro fator que pode ter algum efeito nos balan\u00e7os dos bancos no quarto trimestre, especialmente nos de algumas institui\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio porte, \u00e9 o consignado para benefici\u00e1rios do INSS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es como Banco do Brasil, Ita\u00fa, Santander, Pan, BMG, Mercantil e Banrisul suspenderam, no fim do ano passado, a oferta dessa linha via correspondente banc\u00e1rio porque a opera\u00e7\u00e3o ficou incompat\u00edvel com os custos diante do teto de 1,66% ao m\u00eas nas taxas de juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em janeiro, o Conselho Nacional de Previd\u00eancia Social (CNPS) elevou o teto para 1,80%, n\u00edvel que os bancos dizem que ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (ABBC) chegou a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a compet\u00eancia do CNPS e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), vinculados ao Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia, para fixar o limite de juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas perspectivas para os bancos individualmente, a proje\u00e7\u00e3o dos analistas \u00e9 que o Ita\u00fa dever\u00e1 ter lucro recorde de R$ 10,831 bilh\u00f5es no trimestre. Tamb\u00e9m \u00e9 esperado que a institui\u00e7\u00e3o divulgue um dividendo extraordin\u00e1rio que pode chegar a quase R$ 20 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para os analistas da Genial, os destaques do Ita\u00fa no per\u00edodo devem ser expans\u00e3o da carteira de cr\u00e9dito, acompanhando o ritmo dos trimestres anteriores e fechando com crescimento de 12,5%, no topo do guidance; aumento da margem financeira, embora em um ritmo menor que a carteira; e controle das despesas com provis\u00f5es, refletindo estabilidade na qualidade dos ativos e inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o melhor do pelot\u00e3o, com um ROE [retorno sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido] de 23% em 2025\u201d, dizem os analistas da casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BB \u00e9 o \u00fanico que pode ter queda trimestral no lucro, embora pequena (-0,2%). Na vis\u00e3o do Citi, a margem financeira deve se mostrar resiliente, mas n\u00e3o se prev\u00ea uma revers\u00e3o no momento complicado do agro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que a carteira cres\u00e7a 11% em 2024, com as press\u00f5es persistentes sobre o provisionamento levemente aliviadas por resultados s\u00f3lidos de tesouraria. Esperamos que a inadimpl\u00eancia do segmento de agroneg\u00f3cio permane\u00e7a alta quando comparada aos n\u00edveis hist\u00f3ricos, embora a margem com clientes deva continuar avan\u00e7ando em um ritmo s\u00f3lido.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A previs\u00e3o para o Bradesco \u00e9 de continuidade em sua trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o, com o lucro saltando 84,5% ante o quarto trimestre de 2023, quando o balan\u00e7o foi penalizado por maiores provis\u00f5es e o banco passou por uma troca de comando (Marcelo Noronha substituiu Octavio de Lazari Jr. no cargo de CEO).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo analistas do Santander, a margem com clientes deve melhorar e a qualidade dos ativos, permanecer sob controle, mas a margem com mercado pode ser um fator negativo. Para eles, essa linha somar\u00e1 R$ 312 milh\u00f5es no quarto trimestre, \u201cdevido \u00e0 forte volatilidade da curva de juros e \u00e0 falta de de instrumentos de hedge para amenizar esse impacto\u201d. Com as proje\u00e7\u00f5es para a Selic em 2025, j\u00e1 h\u00e1 analistas vendo resultado zero para a margem com mercado do Bradesco neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 o Santander deve registrar lucro de R$ 3,702 bilh\u00f5es, com a margem financeira crescendo em linha com a carteira e a receita de tarifas novamente como um destaque positivo, em meio aos esfor\u00e7os do banco para engajar clientes e aumentar o \u201ccross-sell\u201d (vendas de mais produtos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEnquanto isso, esperamos que as despesas operacionais cres\u00e7am em um n\u00edvel semelhante ao do terceiro trimestre, mas abaixo da infla\u00e7\u00e3o em uma base anual. Tamb\u00e9m esperamos que a al\u00edquota efetiva de imposto continue a aumentar, para 16%, embora ainda provavelmente abaixo de n\u00edveis sustent\u00e1veis\u201d, afirma o Goldman Sachs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Nubank, que n\u00e3o faz parte da soma de resultados feito pelo Valor, deve ter lucro de aproximadamente US$ 565 milh\u00f5es (cerca de R$ 3,2 bilh\u00f5es no c\u00e2mbio de sexta-feira). Para os analistas, o banco pode ser afetado pela varia\u00e7\u00e3o cambial e os n\u00fameros do quarto trimestre ser\u00e3o um bom indicador sobre o apetite da fintech para este ano diante de um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVemos um 2025 desafiador para o Nubank. Os empr\u00e9stimos sem garantia no Brasil podem desacelerar se as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito se deteriorarem devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e \u00e0s taxas de juros mais altas, al\u00e9m da correla\u00e7\u00e3o com maiores \u00edndices de inadimpl\u00eancia. Embora o Nubank esteja ganhando participa\u00e7\u00e3o de mercado em empr\u00e9stimos garantidos, acreditamos que o retorno desses produtos para o banco ainda \u00e9 pouco atraente\u201d, diz o Citi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4mico (Jornal Impresso), em 03\/02\/2025, por \u00c1lvaro Campos. &nbsp; Segundo analistas, os n\u00fameros de outubro a dezembro dos grandes bancos ser\u00e3o positivos, com lucro e carteira em alta e inadimpl\u00eancia est\u00e1vel. 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