{"id":82386,"date":"2026-11-06T10:52:32","date_gmt":"2026-11-06T13:52:32","guid":{"rendered":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/?post_type=analisestudos&#038;p=82386"},"modified":"2026-11-06T10:52:32","modified_gmt":"2026-11-06T13:52:32","slug":"xp-btg-asaas-ifood-por-que-tantas-empresas-querem-vender-maquininhas","status":"publish","type":"analisestudos","link":"https:\/\/cardmonitor.com.br\/ccd\/analises-e-estudos\/xp-btg-asaas-ifood-por-que-tantas-empresas-querem-vender-maquininhas\/","title":{"rendered":"XP, BTG, Asaas, iFood: por que tantas empresas querem vender maquininhas?"},"content":{"rendered":"<p>Finsiders Brasil (Internet), em 05\/11\/2026, por Murilo Melo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo executivos do setor, a maquininha funciona como porta de entrada. Quem recebe o dinheiro das vendas acompanha a rotina do neg\u00f3cio e, com isso, ganha a chance de oferecer conta, cr\u00e9dito, antecipa\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis e ferramentas de gest\u00e3o a pequenas e m\u00e9dias empresas (PMEs). A briga, portanto, envolve o relacionamento financeiro com esse p\u00fablico, e n\u00e3o apenas o aparelho.<\/p>\n<p>A chegada dos novos concorrentes muda a forma de disputar o lojista. Em vez de oferecer apenas a menor taxa, essas empresas vendem a maquininha dentro de uma rela\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existe, seja pela conta, pelo delivery ou pelo sistema de gest\u00e3o. Resta saber quantos v\u00e3o conseguir transformar a presen\u00e7a no balc\u00e3o em clientes fi\u00e9is e opera\u00e7\u00f5es lucrativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia \u00edntegra abaixo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>XP, BTG, Asaas, iFood: por que tantas empresas querem vender maquininhas?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem passa no caixa de uma padaria de bairro j\u00e1 se acostumou com a cena: ao lado da balan\u00e7a e do pote de balas ficam duas, \u00e0s vezes tr\u00eas maquininhas, cada uma com uma cor e uma marca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por muito tempo, quase todas levavam o nome de Cielo, Rede, Getnet ou Stone. De uns anos para c\u00e1, a fila de logotipos ficou maior e cada vez mais surpreendente. Agora aparecem ali a marca de uma corretora de investimentos, de um banco de neg\u00f3cios, de uma carteira digital e at\u00e9 de um aplicativo de delivery.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>XP, BTG Pactual, PicPay, iFood e Stark Bank est\u00e3o entre as empresas que lan\u00e7aram ou ampliaram suas maquininhas. Mais recentemente, o Asaas tamb\u00e9m resolveu abocanhar uma fatia desse neg\u00f3cio. Nenhuma delas nasceu para processar pagamentos com cart\u00e3o. Ent\u00e3o por que tanta gente quer um lugar no balc\u00e3o do comerciante?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo executivos do setor, a taxa cobrada em cada venda explica s\u00f3 uma parte da hist\u00f3ria. A maquininha funciona como porta de entrada. Quem recebe o dinheiro das vendas acompanha a rotina do neg\u00f3cio e, com isso, ganha a chance de oferecer conta, cr\u00e9dito, antecipa\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis e ferramentas de gest\u00e3o a pequenas e m\u00e9dias empresas (PMEs). A briga, portanto, envolve o relacionamento financeiro com esse p\u00fablico, e n\u00e3o apenas o aparelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O valor est\u00e1 no que vem depois da venda<\/strong><\/p>\n<p>Para Eduardo Sgobbi, presidente da empresa de meios de pagamento Edanpay, a l\u00f3gica do neg\u00f3cio mudou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA maquininha deixou de ser neg\u00f3cio de taxa e virou fonte de neg\u00f3cios e informa\u00e7\u00e3o. Quem captura a venda sabe quanto o lojista fatura, quando recebe e de quem recebeu\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com esse conhecimento em m\u00e3os, a empresa consegue vender outros produtos ao mesmo cliente. Reinaldo Boesso, diretor-executivo (CEO) e cofundador da TMB, fintech de pagamentos para infoprodutores e criadores de conte\u00fado digital, enxerga uma disputa pela presen\u00e7a di\u00e1ria na vida do empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQuem processa o pagamento passa a estar presente no momento em que a venda acontece e pode construir uma rela\u00e7\u00e3o frequente com o empres\u00e1rio. Isso abre espa\u00e7o para oferecer conta, antecipa\u00e7\u00e3o, ferramentas de gest\u00e3o e outros servi\u00e7os que fazem parte do funcionamento do neg\u00f3cio\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pesa o custo de conquistar clientes. Quem j\u00e1 atende PMEs por meio de uma conta digital, de um aplicativo de delivery ou de um sistema de cobran\u00e7a pode oferecer a maquininha pelos pr\u00f3prios canais, sem come\u00e7ar do zero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Boesso, isso reduz o esfor\u00e7o comercial, embora a empresa continue arcando com atendimento, tecnologia, seguran\u00e7a e manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tamanho do mercado ajuda a explicar o apetite. No primeiro semestre deste ano, as compras com cart\u00f5es somaram R$ 2,3 trilh\u00f5es no Brasil, alta de 8% sobre o mesmo per\u00edodo de 2025, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Cart\u00f5es de Cr\u00e9dito e Servi\u00e7os (Abecs). O n\u00famero inclui compras presenciais e online.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma fila que come\u00e7ou bem antes<\/strong><\/p>\n<p>A corrida n\u00e3o come\u00e7ou ontem. Em 2024, PicPay, Stark Bank e RecargaPay j\u00e1 tinham entrado no mercado de adquir\u00eancia, o neg\u00f3cio de habilitar o lojista a aceitar cart\u00f5es e repassar a ele o dinheiro das vendas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele ano, o PicPay lan\u00e7ou uma maquininha que aceita cart\u00f5es, Pix e carteiras digitais e ainda roda aplicativos de controle de estoque e emiss\u00e3o de notas fiscais. No mesmo per\u00edodo, o iFood passou a oferecer aos restaurantes parceiros um terminal pr\u00f3prio, apelidado de \u201cmaquinona\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste ano, os grandes nomes do mercado financeiro aceleraram. Em julho, a XP lan\u00e7ou a XP Empresas Pay, junto com um cart\u00e3o de cr\u00e9dito corporativo. Em setembro, o BTG Pactual apresentou o BTG Pay, que re\u00fane maquininha, link de pagamento e cart\u00e3o para empresas dentro da conta empresarial. Com o lan\u00e7amento, o banco passou a oferecer aos clientes um servi\u00e7o que antes eles precisavam buscar em outros fornecedores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O caso do Asaas<\/strong><\/p>\n<p>O cap\u00edtulo mais recente vem do Asaas, plataforma financeira e operacional para empresas, que lan\u00e7ou a Asaas Smart. Antes dela, a companhia j\u00e1 recebia pagamentos presenciais pelo Asaas Tap, aplicativo que transforma o celular em maquininha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O novo terminal, lan\u00e7ado em 14 de outubro deste ano, leva a mesma l\u00f3gica para o balc\u00e3o. O dinheiro das vendas cai na conta que o cliente j\u00e1 usa na plataforma, onde ele tamb\u00e9m emite boletos, recebe Pix e paga as contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A empresa tem mais de 300 mil clientes ativos e projeta R$ 237 milh\u00f5es em volume total de pagamentos (TPV, na sigla em ingl\u00eas) presenciais neste ano, somando o Tap e a Smart. Para Eduardo Kruger, diretor-executivo de produto (CPO, na sigla em ingl\u00eas) do Asaas, a ideia \u00e9 atender quem hoje divide a opera\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rios fornecedores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 comum que o lojista tenha uma empresa de maquininha para o cart\u00e3o no balc\u00e3o e use outra solu\u00e7\u00e3o para boletos, Pix e cobran\u00e7as recorrentes. Ao integrar a opera\u00e7\u00e3o, a proposta \u00e9 centralizar entradas no mesmo extrato e saldo utilizados para pagar fornecedores, tributos e despesas operacionais\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/uploads.finsidersbrasil.com.br\/2026\/11\/DESTAQUE-cartao-maquininha-recorte-1000x563.jpg\" alt=\"Maquininhas de cart\u00f5es: por que tantas empresas querem uma?\" width=\"735\" height=\"414\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Do receb\u00edvel ao cr\u00e9dito<\/strong><\/p>\n<p>Para entender por que a maquininha abre caminho para o cr\u00e9dito, vale lembrar como funciona uma venda parcelada. Quando o cliente divide uma compra em seis vezes no cart\u00e3o, o lojista recebe o dinheiro aos poucos, ao longo de seis meses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses valores a receber se chamam receb\u00edveis. Se o comerciante precisa pagar um fornecedor antes disso, pode antecipar parte desse dinheiro, com um desconto. \u00c9 a chamada antecipa\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sgobbi considera esse ativo muito valioso para quem empresta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO receb\u00edvel de cart\u00e3o \u00e9 a melhor garantia que qualquer varejista pode dar, pois \u00e9 previs\u00edvel, registrado e confirmado pelo emissor do cart\u00e3o e bandeiras\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Asaas, por exemplo, anunciou em setembro um Fundo de Investimento em Direitos Credit\u00f3rios (FIDC) de R$ 400 milh\u00f5es. Esse tipo de fundo compra receb\u00edveis e, com isso, financia a antecipa\u00e7\u00e3o para empres\u00e1rios que precisam de capital de giro ou enfrentam meses de faturamento mais fraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo assim, os especialistas recomendam cautela. Boesso lembra que o hist\u00f3rico de vendas ajuda na an\u00e1lise, mas n\u00e3o conta toda a hist\u00f3ria do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVender muito n\u00e3o significa necessariamente ter margem ou dinheiro dispon\u00edvel para assumir novos compromissos. \u00c9 preciso avaliar outras informa\u00e7\u00f5es e respeitar as regras aplic\u00e1veis ao uso dos dados\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do mesmo modo, quem fornece a maquininha n\u00e3o ganha exclusividade sobre o cliente. Victor Nery, diretor-executivo (CEO) da infraestrutura de pagamentos NTX Pay, explica que as regras do mercado abrem essa disputa para outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEssa integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que o lojista fique obrigado a contratar financiamento com quem forneceu a maquininha. O sistema de registro de receb\u00edveis permite que outras institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m disputem essas opera\u00e7\u00f5es, conforme as regras aplic\u00e1veis\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas jeitos de entrar no jogo<\/strong><\/p>\n<p>Nem toda empresa que coloca a pr\u00f3pria marca numa maquininha constr\u00f3i a estrutura inteira por tr\u00e1s dela. Sgobbi identifica tr\u00eas caminhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 a parceria com empresas de infraestrutura. A XP informa que a adquir\u00eancia, o aluguel dos terminais e a antecipa\u00e7\u00e3o da XP Empresas Pay ficam a cargo da Fiserv. A Asaas Smart, por sua vez, usa tecnologia de pagamentos presenciais da Adyen. A Fiserv, ali\u00e1s, investe para atender esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em maio, a processadora inaugurou em Betim (MG) sua primeira f\u00e1brica de terminais Clover fora da \u00c1sia, com capacidade para 100 mil aparelhos por ano. A norte-americana tamb\u00e9m fechou acordo com a Caixa Cart\u00f5es, depois estendido para todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo caminho \u00e9 a compra de uma opera\u00e7\u00e3o pronta, como fez o BTG ao adquirir a Justa. O terceiro \u00e9 a especializa\u00e7\u00e3o por setor. O iFood desenhou a \u201cmaquinona\u201d para a rotina dos restaurantes e, em 2024, informou que 25% dos pedidos j\u00e1 aconteciam nos sal\u00f5es, fora do aplicativo, usando sua estrutura de pagamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda quem forne\u00e7a tecnologia para outras marcas. A Paytime atende empresas regionais, como BPE, Pag.Ninja e MarkUp!, que oferecem maquininhas com nome pr\u00f3prio a pequenos estabelecimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, o mercado continua atraindo nomes de fora. O PayPal anunciou sua entrada na adquir\u00eancia no Brasil, a Nuvei aposta em adquir\u00eancia pr\u00f3pria e a Destaxa cresce vendendo tecnologia para adquirentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Volume n\u00e3o \u00e9 lucro<\/strong><\/p>\n<p>Distribuir m\u00e1quinas, por\u00e9m, n\u00e3o garante dinheiro no bolso. Boesso faz quest\u00e3o de separar o valor das vendas da receita da empresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO valor total passado nas m\u00e1quinas n\u00e3o \u00e9 receita da adquirente. Da cobran\u00e7a feita ao estabelecimento, existem parcelas destinadas a outros participantes e custos operacionais. Por isso, crescer em transa\u00e7\u00f5es s\u00f3 faz sentido quando a receita que permanece consegue remunerar a estrutura\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, os novos entrantes tentam lucrar com o pacote completo, que inclui margem sobre as transa\u00e7\u00f5es, aluguel de equipamentos, antecipa\u00e7\u00e3o, cr\u00e9dito e servi\u00e7os extras. Segundo Nery, os produtos financeiros trazem custos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNa antecipa\u00e7\u00e3o e no cr\u00e9dito, tamb\u00e9m pesam o custo dos recursos e o risco. A sustentabilidade depende do resultado total do relacionamento, n\u00e3o apenas de quantas m\u00e1quinas foram distribu\u00eddas\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Sgobbi, a maior oportunidade est\u00e1 nos pagamentos entre empresas (B2B). Ele cita uma estimativa do BTG segundo a qual a adquir\u00eancia tradicional soma R$ 4,5 trilh\u00f5es, enquanto o total chega a R$ 50,5 trilh\u00f5es quando se incluem as transa\u00e7\u00f5es entre empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Briga por relacionamento, n\u00e3o s\u00f3 por pre\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>A chegada dos novos concorrentes muda a forma de disputar o lojista. Em vez de oferecer apenas a menor taxa, essas empresas vendem a maquininha dentro de uma rela\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existe, seja pela conta, pelo delivery ou pelo sistema de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A taxa m\u00e9dia de desconto cobrada dos estabelecimentos nas vendas a cr\u00e9dito caiu de 2,24% no primeiro semestre de 2025 para 2,11% no mesmo per\u00edodo deste ano, segundo o BC. Nery pondera, por\u00e9m, que n\u00e3o d\u00e1 para atribuir essa queda apenas aos lan\u00e7amentos recentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os executivos evitam decretar o fim das grandes credenciadoras. Estabilidade do sistema, capacidade de integra\u00e7\u00e3o e atendimento continuam pesando na escolha do lojista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cUma marca conhecida pode facilitar a primeira conversa; a qualidade do servi\u00e7o \u00e9 o que sustenta o relacionamento\u201d, afirma Boesso. Segundo Sgobbi, a pr\u00f3pria divis\u00e3o do mercado entre os gigantes j\u00e1 mudou, com a Rede assumindo a lideran\u00e7a em volume, com 18%, e a Getnet recuando para 5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A disputa tamb\u00e9m vai al\u00e9m do aparelho f\u00edsico. O Pix e as solu\u00e7\u00f5es que transformam o celular em terminal ampliam as op\u00e7\u00f5es do comerciante. Em 2024, por exemplo, a Afinz comprou a Tappaggo, plataforma que permite receber por aproxima\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio celular. E dinheiro barato n\u00e3o vem de brinde com a novidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO custo de capta\u00e7\u00e3o pesa na oferta de antecipa\u00e7\u00e3o e cr\u00e9dito, mas ser um novo entrante n\u00e3o garante recursos mais baratos nem uma opera\u00e7\u00e3o mais eficiente\u201d, diz Nery.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cabe todo mundo?<\/strong><\/p>\n<p>Os especialistas concordam que existe espa\u00e7o para quem atende bem um setor espec\u00edfico. Um restaurante, uma cl\u00ednica e uma rede de lojas pedem integra\u00e7\u00f5es e atendimento diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, fica dif\u00edcil sustentar muitas empresas vendendo o mesmo servi\u00e7o, para o mesmo p\u00fablico e com a mesma estrat\u00e9gia de pre\u00e7o. Nery v\u00ea espa\u00e7o para uma nova rodada de concentra\u00e7\u00e3o no setor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cUma nova consolida\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, especialmente entre opera\u00e7\u00f5es com pouca diferencia\u00e7\u00e3o, custos elevados ou dificuldade de ganhar escala. Ela pode ocorrer por aquisi\u00e7\u00f5es, alian\u00e7as ou contrata\u00e7\u00e3o de infraestrutura comum\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os neg\u00f3cios recentes apontam nessa dire\u00e7\u00e3o. A Bemobi, por exemplo, comprou a Paytime por at\u00e9 R$ 55,1 milh\u00f5es e tamb\u00e9m levou a Celer, da Casas Bahia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sgobbi tem uma previs\u00e3o mais dura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSobrevive quem tem base pr\u00f3pria, funding barato e especializa\u00e7\u00e3o, quem s\u00f3 aluga maquininha vai ser comprado ou sair. O mercado vai ficar com poucas plataformas de escala e operadores especializados no fluxo completo de nichos. O meio termo desaparece\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele aponta ainda uma mudan\u00e7a que vem com a reforma tribut\u00e1ria. A partir de 2027, o chamado split payment far\u00e1 com que parte dos novos tributos, a Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS) e o Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS), seja separada no momento do pagamento. Com isso, as empresas de pagamento v\u00e3o precisar de tecnologia e concilia\u00e7\u00e3o mais sofisticadas, algo que muitas opera\u00e7\u00f5es pequenas ainda n\u00e3o t\u00eam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E o lojista com isso?<\/strong><\/p>\n<p>Para o dono da padaria, a fila de logotipos no balc\u00e3o abre espa\u00e7o para negociar. Boesso recomenda olhar al\u00e9m do pre\u00e7o anunciado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMinha recomenda\u00e7\u00e3o seria avaliar o custo total, os prazos de recebimento, as condi\u00e7\u00f5es de antecipa\u00e7\u00e3o e o atendimento. Uma taxa anunciada isoladamente n\u00e3o mostra quanto a solu\u00e7\u00e3o vai custar na rotina daquele neg\u00f3cio\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, os novos concorrentes seguem chegando ao caixa com a mesma aposta. Para eles, a maquininha vale mais pelo que permite vender depois do que pela venda que passa por ela. Resta saber quantos v\u00e3o conseguir transformar a presen\u00e7a no balc\u00e3o em clientes fi\u00e9is e opera\u00e7\u00f5es lucrativas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Finsiders Brasil (Internet), em 05\/11\/2026, por Murilo Melo. &nbsp; Segundo executivos do setor, a maquininha funciona como porta de entrada. Quem recebe o dinheiro das vendas acompanha a rotina do neg\u00f3cio e, com isso, ganha a chance de oferecer conta, cr\u00e9dito, antecipa\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis e ferramentas de gest\u00e3o a pequenas e m\u00e9dias empresas (PMEs). 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