Mercado de cartão de crédito crescerá fortemente em 2020

“Acreditamos que em 2020 a indústria de cartões terá um crescimento robusto, impulsionado por vários fatores, como a digitalização dos MEIs, a bancarização da população, a própria projeção do PIB para o ano, além de novas oportunidades, como a digitalização dos impostos, o pagamento instantâneo e outros temas relacionados à inovação”, declarou o presidente da Abecs, Pedro Coutinho, em coletiva para jornalistas há 20 dias. Segundo o executivo, a projeção oficial para o crescimento da indústria será anunciada durante o 14º CMEP, marcado para ocorrer entre 24 e 25 de março.

Pelas estimativas da CardMonitor, o mercado de cartões de crédito deve crescer entre 18% e 21%, considerando os mesmos motores apontados pela Abecs e o desempenho do setor em 2019.

De janeiro a setembro deste ano, os pagamentos digitais ultrapassaram R$ 1,31 trilhão movimentado, conforme balanço apresentado pela associação. A divisão por modalidade foi:

  • Cartões de crédito: R$ 826 bilhões (+19%)
  • Cartões de débito: R$ 471,6 bilhões (+15,3%)
  • Cartões pré-pagos: R$ 13,1 bilhões (+76,3%)

Somente no 3T2019, o setor movimentou R$ 461 bilhões – somando as compras com cartões de crédito, débito e pré-pago-, representando um salto de 18% frente ao 3T2018.

Para o 4T2019, as expectativas seguem positivas, embaladas pela liberação do FGTS, do 13° salário e a queda dos juros, que já começam a impactar no consumo. “A nossa expectativa de encerrar o ano com R$ 1,84 trilhão movimentado pela indústria, com um crescimento de aproximadamente 18%, se mantém”, afirma Coutinho. “A gente deve fechar o ano com a indústria representando 28% do PIB brasileiro”.

Digitalização do consumo beneficia o setor

Pesquisa do Datafolha/Abecs, realizada em setembro de 2019, dois em a cada três domicílios no país têm acesso a internet; 74% dos brasileiros possuem smartphone com acesso à internet; 48% dos usuários de cartão fazem compra pela internet; e 82% pagam suas compras online com cartão de crédito. Segundo o estudo, os novos hábitos de consumo dos brasileiros têm influenciado no desempenho da indústria de pagamentos:

  • 32% pediram táxi ou motorista por aplicativo e pagaram com cartões de crédito
  • 28% compraram filmes ou séries pela internet usando cartão de crédito
  • 12% pediram refeição por aplicativo
  • 8% pagaram por serviços de música pela internet
  • 8% fizeram reserva de hotel e acomodação via sites

De acordo com o levantamento, o celular é o canal mais utilizado para as compras online. A preferência do smartphone cresceu de 53% para 72%, entre 2017 e 2019, e continua acima dos demais canais: laptop (30%), desktop (28%) e tablet (4%). “As compras não presenciais cresceram a um ritmo de 26,6%, já representando 21,5% do volume do cartão de crédito. Nós estamos falando de R$ 62 bilhões transacionados em canais remotos nesse 3T2019”, ressalta o presidente da Abecs.

Pagamentos por aproximação

A associação também aponta que o pagamento por aproximação dobrou de tamanho em um ano: 10% dos usuários de cartão já pagaram via contactless. “Aqui acreditamos que ainda há oportunidade. Toda a indústria – as bandeiras, os emissores, as adquirentes – tem feito um forte trabalho para que adoção desse tipo de pagamento cresça”, fala Coutinho.

Queda no MDR

A taxa cobrada dos estabelecimentos comerciais pelos adquirentes caiu abaixo de 2%. “A gente fecha o 3T com 1,86% e essa taxa é repassada aos estabelecimentos”, assegura Coutinho.

Aderência ao crediário

Em 2019, uma das frentes de trabalho da Abecs que apresentou desempenho abaixo do esperado foi a aderência ao crediário no cartão de crédito. “Tínhamos uma expectativa de que o produto poderia ter andado um pouco mais rápido, mas por outro lado, ainda temos dever de casa para ser feito. Nesse último trimestre do ano, estamos homologando o crediário no TEF e no e-commerce. Temos um plano junto ao setor de colocar o crediário para funcionar em todos os canais no 1º trimestre de 2020.Temos ainda um plano junto aos emissores para deixar mais evidente as taxas do crediário ao consumidor. Cada um tem a sua taxa individualizada, mas já observamos ofertas muito atrativas”.

2020

Conforme Pedro Coutinho, entram na pauta de trabalho da entidade para o próximo ano temas como a LGPD, os pagamentos instantâneos e o próprio crediário.